Quarta-feira é um dia cheio para António José Seguro. O secretário-geral do PS, António José Seguro, reúne-se de manhã com o primeiro-ministro para discutir o perfil do futuro comissário europeu indicado por Portugal. À tarde encontra-se com o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, a quem se irá queixar de interferências políticas na escolha da nova administração do BES.

De acordo com fonte do gabinete do primeiro-ministro, a reunião com Seguro, marcada para as 9h30, servirá “para abordar a questão da escolha do próximo membro da Comissão Europeia a indicar pelo Governo português”. O convite partiu do chefe do primeiro-ministro – depois de no sábado Marques Mendes ter dito na SIC que a iniciativa estava para breve.

Seguro reclama que o PS deve indicar o próximo comissário europeu porque ganhou as eleições europeias, mas no debate quinzenal, no Parlamento há duas semanas, Passos respondeu que ‘não’ e até ironizou: “É como se a Frente Nacional em França quisesse indicar o comissário”.

À tarde, Seguro conversa com o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa. Na reunião, que decorrerá a partir das 18h, Seguro pretende obter de Carlos Costa uma análise global do setor bancário.

No fim de semana, numa iniciativa de campanha em Vila Real, o secretário-geral do PS defendeu uma separação entre a política e os negócios, referindo que “é mais do mesmo” que os nomes conhecidos para a administração de “um banco” sejam associados à atual maioria, referindo-se em concreto ao caso BES.

O Espírito Santo Financial Group (ESFG) anunciou, no sábado, que vai propor Vítor Bento para presidente executivo do Banco Espírito Santos (BES) e João Moreira Rato para administrador financeiro, num comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O ESFG aponta ainda o deputado social-democrata e ex-juiz do Tribunal Constitucional Paulo Mota Pinto, para o cargo de presidente do Conselho de Administração.

“Vejam as últimas notícias sobre um banco português e vejam os três nomes conhecidos para a administração desse banco, todos associados à atual maioria política”, afirmou António José Seguro, que discursava num encontro com militantes do PS. Segundo o líder socialista, “um deles vem do parlamento para a administração do banco, outro era até há bem pouco tempo, até saber o seu nome, quem fazia a gestão da dívida pública, vendia dívida pública e agora vai para a administração de um banco que comprou essa dívida pública”. “Isto não pode continuar. Isto é mais do mesmo, é isto que afasta as pessoas da política, é isto que denigre as instituições”, frisou.