Navi Pillay, alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, emitiu, nesta sexta-feira, um pedido de investigação aos ataques aéreos israelitas em Gaza, devido a relatórios que levantam “sérias dúvidas” se estão a cumprir a lei humanitária internacional. Até agora, mais de 100 palestinianos foram mortos, na maioria civis, incluindo 23 crianças. Mais de 670 foram feridos. E nenhuma baixa da parte israelita.

Pillay afirmou ter recebido” relatórios profundamente perturbadores que muitas das baixas civis, incluindo as crianças, ocorreram como resultado de bombardeamentos a casas” em Gaza. “Estes relatórios levantam sérias dúvidas se os ataques aéreos israelitas estão ser executados de acordo com lei humanitária internacional e lei internacional para os direitos humanos”, denunciou ao Guardian. “O lançamento indiscriminado de rockets de Gaza” pode também constituir uma fuga à lei, acrescentou a alta comissária das Nações Unidas.

Em 2011, quando Pillay visitou Gaza e Israel depois de uma troca de agressões semelhante, disse que tanto o Hamas como o governo israelita deviam ser responsabilizados por crimes de guerra. De acordo com a lei internacional, antes de um ataque aéreo a uma casa de civis, estes devem ser avisados através de chamadas e mensagens telefónicas ou com “tiros sem pólvora” no telhado das casas. A razão pela qual se acredita que as crianças constituem um número tão elevado dos mortos é devido a terem mais medo de sair de casa, quando os vizinhos fazem o mesmo.

“Nenhuma pressão internacional nos vai impedir de atuar com toda a nossa força”, disse Benjamin Netanyahu,

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Mesmo assim, Benjamin Netanyahu, primeiro ministro israelita, afirmou nesta sexta-feira, que o seu governo não irá desviar-se do percurso por causa das críticas internacionais e anunciou que ainda vão ocorrer mais ataques aéreos.“Nenhuma pressão internacional nos vai impedir de atuar com toda a nossa força”, disse Netanyahu, lembrando que teve “boas conversas” com muitos dos líderes mundiais nos últimos dias, inclusive Barack Obama.

“Estamos a ponderar e a preparar-nos para todas as possibilidades”, afirmou, não excluindo uma ofensiva terrestre. Segundo Netanyahu, os drones e a força aérea israelita, nos últimos quatro dias, já atacaram mais de mil alvos. Israel anunciou ter sido atingido por 809 rockets e 61 morteiros de Gaza, esta semana. Apesar de não haver baixas, nove israelitas foram feridos.

Jens Laerke, porta voz do gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, afirmou aos jornalistas: “Mais de 340 casas foram seriamente danificadas ou completamente destruídas.” Como resultado disto, mais de 2000 pessoas ficaram desalojadas. “Os nossos trabalhadores no terreno dizem que as pessoas em Gaza estão tomadas pelo medo, que as ruas estão vazias e as lojas estão fechadas”, acrescentou.