Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia pediram esta terça feira à Comissão Europeia e aos Serviços de Ação Externa para apresentarem até quinta-feira uma proposta de possíveis sanções económicas à Rússia, por causa da crise ucraniana.

Os 28 países pedem ao Executivo comunitário e à chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, para entregarem as propostas no dia 24, apesar da aprovação definitiva ser da responsabilidade dos líderes de cada país.

Os ministros, que debateram esta terça feira a situação decorrente do suposto ataque contra o avião da Malaysia Airlines abatido no leste da Ucrânia, zona controlada pelos separatistas pró-russos, pediram tempo para finalizarem o trabalho preparatório sobre possíveis medidas específicas que devem ser apresentadas na quinta-feira, disseram fontes comunitárias à agência EFE.

As possíveis sanções estão enquadradas no âmbito da defesa, bens de consumo – civil e militar -, energia e serviços financeiros, disse aos jornalistas o ministro dos Negócios Estrangeiros holandês no final da reunião.

Fontes comunitárias disseram à EFE que estas medidas estavam já em preparação ao nível do Conselho Europeu, logo após o eclodir da crise ucraniana, mas por se tratarem de sanções da chamada “fase três” a aprovação só pode ser efetuada pelos chefes de Estado e de governo dos países da União.

As mesmas fontes indicaram que durante a reunião foi considerada a possibilidade de se vir a realizar uma cimeira extraordinária sobre o assunto nos próximos dias, mas não existe ainda a confirmação sobre a eventual reunião.

“A União Europeia e os Estados membros estão chocados e consternados pelo derrube do voo MH17 da Malaysia Airlines em Donetsk (Ucrânia) e pela trágica perda de tantas vidas inocentes”, declararam os ministros.

A preparação das medidas que já foram acordadas pelos líderes europeus na reunião do passado dia 16 e em particular a extensão da lista de pessoas visadas por sanções por ameaça contra a soberania da Ucrânia vai também ser “apressada” para ser apresentada na reunião de quinta-feira, confirmou o chefe da diplomacia holandesa.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros também pediram a aplicação completa da resolução adotada na segunda-feira pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e que pede o acesso imediato ao local da catástrofe assim como sejam criadas condições para que seja levada a cabo uma investigação internacional que, segundo defendem, deve ser feita em coordenação com a Organização Internacional de Aviação Civil.

De acordo com as mesmas fontes, os ministros pedem que estejam igualmente envolvidos especialistas forenses das autoridades da Ucrânia, Malásia e da Holanda e que todo o material recuperado deve ser entregue aos investigadores.

O transporte rápido e digno dos cadáveres das vítimas foi também abordado na reunião além da exigência de que o local onde caiu o aparelho se mantenha intacto e que os restos do avião não sejam retirados do lugar onde se encontram.

Por outro lado, os ministros declararam que os responsáveis que de forma direta ou indireta estejam envolvidos na queda do avião devem prestar contas à justiça.