A despesa da Administração Central e da Segurança Social subiu 4,2% nos primeiros seis meses do ano, em grande parte devido ao aumento das despesas com pessoal, mas também dos encargos do Estado com juros da dívida pública. Na síntese de execução orçamental dos primeiros seis meses do ano, a Direção-Geral do Orçamento explica que o aumento da despesa foi geral.

Quase todas as grandes rubricas de despesa da Administração Central sofreram, com exceção da rubrica onde não estão discriminados os gastos, as “outras despesas”. O maior aumento em valor foi nas despesas com pessoal, que subiram 8,2% face aos primeiros seis meses do ano passado. Isto representa um aumento de 493,5 milhões de euros face ao que tinha sido gasto em despesas com pessoal até esta altura em 2013.

As grandes diferenças são, em primeiro lugar, o pagamento de um primeiro mês de salário sem cortes aos funcionários públicos, depois da decisão do Tribunal Constitucional conhecida a 30 de maio de considerar inconstitucional o corte agravado nos salários que o Governo inclui no Orçamento do Estado para 2014. Em segundo lugar, o Governo teve de pagar este ano o subsídio de férias na altura normal dele, ao contrário do que fez o ano passado quando o TC declarou inconstitucional a suspensão desses subsídios, e o Governo decidiu fazê-lo apenas no final do ano.

Com o aumento do valor pago em salários, também existe uma maior parte desse valor que acaba por ficar no Estado de forma direta, como por exemplo através do IRS e das contribuições para a Segurança Social, o que acaba por fazer com que o aumento líquido dos gastos do Estado com as remunerações dos trabalhadores em funções públicas seja menor.

No entanto, os juros da dívida pública subiram ainda mais o seu peso relativo que as despesas com pessoal, com um aumento de 10,5%, e em valor o aumento da fatura não foi assim tão inferior à das despesas com pessoal: nos primeiros seis meses do ano o Estado pagou mais 396,5 milhões de euros que há um ano. A aquisição de bens e serviços também voltou a aumentar, ainda que de forma mais ligeira à registada em maio deste ano, fixando um aumento de 0,4%.