O Diário de Notícias revela este sábado que as autoridades suíças deram informações bancárias sobre Ricardo Salgado ao Departamento de Investigação e Ação Penal (DCIAP). Segundo o jornal, estes novos dados permitiram à equipa que investiga o processo Monte Branco regressar ao caso do banqueiro e indiciá-lo pelos crimes de abuso de confiança, burla, falsificação e branqueamento de capitais.

Em 2012, Ricardo Salgado foi alvo de escutas e acabou por ser ouvido como testemunha do caso Monte Branco, mas nunca foi constituído arguido. Na altura, a Procuradoria Geral da República disse que o antigo presidente do BES não era suspeito e que não havia indícios para lhe imputar a prática de ilícito fiscal.

Na quarta-feira, um comunicado da PGR referia que as “diligências de investigação” tinham continuado, “designadamente com a obtenção de elementos de prova por via da cooperação judiciária internacional, tendo sido recolhidos novos indícios”. O DN revela agora que estes “novos indícios” levaram os investigadores a seguir o rasto de vários milhões de euros em contas de Salgado na Suíça.

O Diário de Notícias faz referência a uma notícia do jornal Sol, que na sexta-feira avançou que o valor em causa eram 17 milhões de euros, alegadamente retirados do GES. Em março de 2011, o GES recebeu da Sonangol 52 milhões de euros a título de sinal pela venda da ESCOM. Terá sido daí que Ricardo Salgado retirou os 17 milhões de euros para o seu património.

Já o Expresso noticia este sábado que o sinal acordado em 2010 entre Ricardo Salgado e Manuel Vicente, então presidente da Sonangol, foi de 85 milhões de euros. O semanário escreve que esse dinheiro esteve para ser transferido para uma conta no Crédit Suisse titulada por uma offshore no Panamá, a New Brook, criada exclusivamente para concluir este negócio e cujo beneficiário era Álvaro Sobrinho, então presidente do BES Angola. Essa sociedade serviria apenas de intermediária para depois distribuir o dinheiro pelos acionistas da ESCOM.

Mas, segundo o Expresso, o Crédit Suisse barrou a operação em março de 2011 e os 85 milhões de euros acabaram por ir parar a uma conta no Crédit Suisse titulada pelo Banque Privée Espírito Santo. Segundo o Expresso, esta mudança expôs a transação.

O contrato onde se define a forma como a operação deveria ser realizada foi encontrado pelo MP numa das buscas feitas ao escritório da advogada luso-angolana Ana Bruno, escreve o semanário este sábado. A advogada era sócia de Álvaro Sobrinho na empresa Akoya, que, por seu lado, “tinha relações estreitas com a parte vendedora da ESCOM”, escreve o Expresso. Cabia à Akoya abrir uma conta no Crédit Suisse em nome da New Brook e gerir as transferências do negócio.

Segundo o DN, Ricardo Salgado terá colocado os 17 milhões de euros nas mãos de Michel Canals e Nicolas Figueiredo, gestores da Akoya envolvidos no caso Monte Branco, processo que investiga uma rede de fuga ao fisco e branqueamento de capitais que funcionaria entre Portugal, Suíça e Cabo Verde e que terá sido utilizada por pessoas influentes em Portugal, ligadas à vida política, económica e desportiva do país.