Angola

BESA. Transferências de 300 milhões de general angolano alarmam MPLA

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A denúncia de que o general Kopelipa terá desviado 300 milhões de dólares para o Dubai está a preocupar o MPLA. Ricardo Salgado já tinha denunciado o envolvimento de figuras do regime no caso BESA.

O general Kopelipa, chefe da Casa Militar do Presidente de Angola, pode ter ajudado no desvio de 300 milhões do BESA

STEPHANE DE SAKUTIN/AFP/GettyImages

A denúncia de que o general Hélder Vieira Dias ‘Kopelipa’ terá transferido cerca de 300 milhões de dólares do Banco Espírito Santo Angola (BESA) para contas bancárias do Espírito Santo Bankers Dubai está a alarmar e a causa mal-estar na cúpula do regime de José Eduardo dos Santos, avança o Expresso. O próprio Ricardo Salgado, ex-líder do BES, já tinha avançado ao Ministério Público a hipótese de altas figuras do MPLA terem contribuído para o buraco de mais de 5,7 mil milhões de dólares que foi detetado no BESA, tal como o Observador noticiou.

As transferências alegadamente realizadas pelo general Kopelipa, chefe da Casa Militar do Presidente José Eduardo dos Santos, foram denunciadas na reportagem da SIC “Assalto ao Castelo”.

O general Hélder Vieira Dias ‘Kopelipa’ (à esquerda) e o general Leopoldino Nascimento ‘Dino’ (à direita) eram acionistas do BESA

“Os políticos têm de passar a ter mais cuidado para não se molharem à chuva. Têm de deixar de misturar política com negócios”, disse ao Expresso Mário Pinto de Andrade, membro do Comité Central do MPLA.

Ao mesmo jornal, Amável Fernandes, antigo comissário político das FAPLA, o braço armado do MPLA entre 1974 e 1991, também falou em termos críticos. “Quando não se honram compromissos com os bancos ou se desvia dinheiro de forma massiva, como tem sido feito no nosso país, estamos perante um sério caso de psiquiatria, que remete Angola no estrangeiro para a condição de indígena”, disse ao Expresso.

Ricardo Salgado já tinha denunciado, no interrogatório a que foi sujeito no dia 18 de janeiro na Operação Marquês depois de ser constituído arguido por alegadamente ter corrompido José Sócrates, a possibilidade das mais altas esferas da classe política do regime do MPLA estarem envolvidas no desaparecimento de 5,7 mil milhões de euros no BESA. Foi a primeira vez que Salgado não responsabilizou exclusivamente Álvaro Sobrinho, ex-presidente do BESA, pelo buraco detetado na sucursal angolana do BES.

Como o Observador já tinha escrito, quando foi interrogado no âmbito da Operação Marquês, Ricardo Salgado sugeriu que Álvaro Sobrinho tinha tido cúmplices. Sobre o empresário angolano, disse que ele “devia ter ido logo para a cadeia” e que “devia ter sido preso em Angola”. Porém, “ninguém lhe tocou”. “Portanto, eu só posso concluir que houve mais pessoas em Angola que beneficiaram com o prejuízo do BESA”, concluiu.

Na semana passada, na reportagem “Assalto ao Castelo” emitida pela SIC, alegou-se que o general Manuel Vieira Dias, chefe da Casa Militar do Presidente José Eduardo dos Santos e também conhecido como “Kopelipa”, ajudou na fuga de 300 milhões de dólares (281 milhões de euros, à taxa de câmbio atual) do BESA.

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