O Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, anunciou esta sexta-feira a convocação de eleições legislativas antecipadas “no outono”, esperando que permitam à Ucrânia desembaraçar-se das forças políticas que apoiam os separatistas pró-russos.

“No outono, a Ucrânia vai ter um novo parlamento”, declarou Poroshenko, durante uma entrevista às televisões ucranianas.

“Não podemos trabalhar com um parlamento onde metade dos deputados não reconhece a DNR e a LNR (repúblicas separatistas autoproclamadas de Donetsk e de Lougansk, no leste do país) como organizações terroristas e onde há grupos parlamentares dirigidos do estrangeiro”, sublinhou.

O governo da Ucrânia está envolvido desde meados de abril numa “operação antiterrorista” no leste para liquidar a insurreição armada pró-russa inspirada, segundo Kiev, pela Federação Russa, que fornece armas aos separatistas.

A Organização das Nações Unidas já quantificou as vítimas do conflito em 1.100.

“A Ucrânia não tem tempo para grandes discussões. As eleições vão realizar-se, independentemente do que vier a acontecer”, garantiu Poroshenko, lembrando que “o mecanismo tinha sido lançado” para a antecipação das legislativas, depois da dissolução da coligação governamental no parlamento, em 24 de julho.

Nos termos da lei ucraniana, o Presidente tem o direito de convocar eleições legislativas antecipadas se uma nova coligação não for formada um mês depois da dissolução da anterior.

Sondagens citadas por Poroshenko indicam que “82% dos ucranianos exigem legislativas antecipadas”.

“Espero que uma nova maioria possante, eficaz, pró-europeia” seja constituída depois das legislativas, realçou.

Mesmo que já não sejam a maioria, vários aliados do ex-Presidente pró-russo Viktor Ianoukovitch, destituído em fevereiro depois de três meses de contestação, entre os quais os comunistas, permanecem no parlamento, sendo acusados pelos serviços de segurança ucranianos de apoiarem abertamente os separatistas.