Israel retirou todas as suas tropas da Faixa de Gaza e anunciou a sua redistribuição em posições defensivas fora do território. O anúncio foi feito momentos antes de o cessar-fogo de 72 horas, mediado pelo Egito, entrar em vigor.

“As forças militares israelitas serão redistribuídas em posições defensivas fora da Faixa de Gaza e essas posições serão mantidas”, disse Peter Lerner, porta-voz do exército israelita, citado pela BBC. Lerner acrescentou que, durante a noite, foram destruídos os últimos 32 túneis do Hamas localizados dentro de Gaza. “Hoje concluímos a remoção desta ameaça”. Os militares israelitas admitem, porém, a possibilidade de ainda existirem alguns túneis que possam não ter sido detetados mas garantem que as forças armadas estão prontas para o ataque no futuro.

Para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, os principais objetivos agora são desarmar o Hamas e a desmilitarização de Gaza. “Para Israel a questão mais importante é a desmilitarização. Temos de impedir o rearmamento do Hamas, temos de desmilitarizar a Faixa de Gaza”, afirmou o porta-voz de Netanyahu, Mark Regev à Reuters.

Minutos antes de a trégua entrar em vigor, os alarmes soaram em Jerusalém e Tel Aviv. O Hamas disparou uma série de rockets de longo alcance como “vingança pelos massacres israelitas”, diz a Reuters. O ataque não fez vítimas.

Os Estados Unidos saudaram a trégua de 72 horas e afirmam que, agora, a responsabilidade pela manutenção da paz é do Hamas. ” [O cessar-fogo] É uma oportunidade real e nós apoiamos firmemente esta iniciativa”, declarou Tony Blinken, conselheiro adjunto para a Segurança Nacional, citado pela Reuters. “A responsabilidade pela continuidade do cessar-fogo agora é do Hamas”, acrescentou. Uma opinião partilhada pelo ministro israelita da Estratégia, Yuyal Steinitz. “Não há acordos. Tal como já temos dito, a calma será respondida com calma”, disse o membro do governo à rádio oficial do exército de Israel.

Também o secretário-geral das Nações Unidas saudou esta segunda-feira a trégua de 72 horas aceite por Israel e Hamas e apelou aos dois lados do conflito o respeito pelo cessar-fogo e manterem a “máxima contenção”.

Em comunicado, Ban Ki-moon instou ainda ambas as partes a iniciarem “negociações o mais rapidamente possível no Cairo para chegarem a um cessar-fogo prolongado e abordarem as questões que são a causa” do conflito. “As Nações Unidas estão prontas a prestar todo o apoio necessário a esses esforços”, acrescenta a nota.

De acordo com dados das Nações Unidas, já se registaram 1.777 mortos palestinianos desde que Israel iniciou, a 8 de julho, a atual ofensiva na Faixa de Gaza. Este conflito já se tornou o mais sangrento dos três que se registaram em Gaza desde 2008. A Unicef, aliás, estimou em quase 400 as crianças mortas e outras 2500 resultado feridas — além dos cerca de 370 mil menores que necessitarão de ajuda psicológica devido ao conflito armado.