Os bancos portugueses que financiaram o Novo Banco exigem que o banco seja vendido o mais rapidamente possível, de preferência até ao final do ano, avança esta quarta-feira o Jornal de Negócios. O objetivo é evitar que o banco perca valor com o arrastar do processo e que isso dificulte ainda mais a recuperação do capital injetado através do Fundo de Resolução.

Os banqueiros, segundo o Negócios, têm vindo a transmitir esta ideia ao Governo e ao Banco de Portugal, argumentando que são eles que terão de assumir as perdas que possam sair de uma provável desvalorização durante o processo de intervenção no Novo Banco. O medo é de que aconteça o mesmo que aconteceu com o BPN, cuja reprivatização foi adiada para o pós-eleições de 2009 e só ficou efetivamente concluída mais de dois anos depois, em 2011.

A rapidez no entanto, não é o único critério a ter em conta, salienta o Negócios. Os banqueiros querem, idealmente, que a venda incida sobre o banco como um todo, para melhor valorizar a instituição. E, claro, que a venda não seja a qualquer preço. A banca está preparada para assumir algumas perdas, diz, mas quer minimizar os estragos – só uma venda por 4.900 milhões de euros permitira à banca sair limpa deste processo, isto é, sem qualquer impacto negativo.

Neste caso, o próprio Governo e o supervisor também já manifestaram interesse em acelerar a venda do banco. Uma conclusão do processo já este ano permitira ao Governo chegar a 2015, ano de eleições, com as contas do BES já teoricamente de fora das contas públicas.

Salários cortados no Novo Banco

Entretanto, a reestruturação da marca Novo Banco já está em marcha. Ao contrário do que na terça-feira noticiava o Dinheiro Vivo, o Jornal de Negócios diz hoje que a instituição vai manter o nome dado pelo Banco de Portugal aquando da decisão de dividir o BES em dois. A equipa de gestão liderada por Vítor Bento tem apenas dois meses para transformar a imagem BES em imagem Novo Banco em todas as agências e meios de comunicação da marca.

Na terça-feira, o Expresso noticiouainda que a administração do Novo Banco se prepara para cortar os salários a todos os trabalhadores do banco. Por imposição de Bruxelas o próprio Vítor Bento não poderá ganhar mais do que 20 vezes o salário médio praticado na instituição. Em 2013, segundo o Expresso, os mais de 6.600 trabalhadores do BES ganhavam em média 2811 euros mensais.

As restrições salariais na administração devem-se aos limites aos órgãos de gestão impostos pela Direção Geral de Concorrência, da Comissão Europeia.