Valérie Trierweiler, ex-companheira de nove anos do Presidente François Hollande, conta no seu livro que vai chegar às bancas na quinta-feira que este se refere aos franceses mais pobres como “desdentados”, e que é calculista e frio nas suas relações pessoais. No fim da sua relação, depois de se saber do caso amoroso com Julie Gayet, o Presidente francês chegou a enviar 29 mensagens num único dia a Trierweiler.

Já tinha sido dito que o livro de Valérie Trierweiler, que conta na primeira pessoa o tempo que a ex-companheira do Presidente passou no Eliseu, não poupava Hollande. Agora que excertos do texto são conhecidos – divulgados pela revista “Paris Match”, com a qual Trierweiler colaborava regularmente -, a imagem do presidente, que não estava nos píncaros da popularidade, pode estar definitivamente comprometida.

A sua ex-companheira conta que apesar de querer aparentar afinidade com os mais pobres e desprezo pelos mais ricos – Hollande propôs taxar em 75% os rendimentos acima do milhão de euros, mas foi parado pelo Tribunal Constitucional francês -, o Presidente gozava muitas vezes com as origens humildes de Trierweiler e apelida os franceses mais pobres de “desdentados”.

Na sua relação íntima, Valérie diz que ele muitas vezes se revelava frio, contando um episódio em que Hollande lhe perguntou se ela demorava muito tempo a arranjar-se para uma cerimónia de Estado. Ela respondeu que sim e o Presidente terá replicado: “Seja como for, é a tua única função”.

Do ponto de vista político, algumas revelações da ex-primeira-dama são interessantes. A antiga jornalista diz que que quando rebentou o escândalo Strauss-Kahn, “François já estava mentalmente a pensar no jogo depois disto”, relata. “Esta não é uma boa notícia, pode ser um reflexo de legitimidade em torno de Martine Aubry [arqui-inimiga de Hollande dentro do PS francês]”, terá dito o socialista.

O fim da relação ou o fim de Hollande?

Quanto ao caso amoroso do Presidente com a atriz Julie Gayet, Trierweiler diz que esteve à beira de uma overdose de medicamentos na manhã em que as fotografias foram publicadas pela revista Closer. “Corro para a casa de banho e levo a pequena bolsa com soporíferos […] Quero dormir. […] Quero fugir. Perco a consciência”, escreve no livro. Depois disto, Trierweiler esteve 15 dias internada e só depois foi anunciado o fim da relação.

Mas isto não terá feito com que o Presidente tenha desistido da relação. A ex-companheira conta que este continuou a contactá-la, pedindo-lhe que retomassem a relação. Num único dia, Hollande terá enviado 29 mensagens à ex-jornalista. “Serei eu o último capricho de um homem que não suporta perder?”, questiona Valérie Trierweiler no seu livro.

O livro, intitulado “Obrigado por este momento”, chega dia 4 de setembro às livrarias e tem uma tiragem – enorme para um livro de memórias – de 200 mil exemplares. Todo o processo da elaboração do livro decorreu sobre sigilo absoluto – o livro foi mesmo impresso na Alemanha para não haver qualquer fuga de informação. De tal forma que o Eliseu foi apanhado de surpresa: soube do conteúdo da obra ao mesmo tempo que a generalidade dos franceses e pelas notícias reveladas pela imprensa.

É a primeira vez que um Presidente francês tem um livro publicado sobre a sua intimidade enquanto ocupa o cargo.