Os partidos da oposição não ficaram satisfeitos com a “indisponibilidade” de Vítor Bento para ser ouvido na comissão parlamentar de Orçamento sobre a demissão do Novo Banco e vão exigir de novo a sua presença, mas desta vez na comissão de inquérito ao caso BES, cuja constituição foi aprovada esta sexta-feira no Parlamento.

O ex-presidente do BES e do Novo Banco, Vítor Bento, recusou a chamada dos deputados para ir ao Parlamento explicar a sua saída do Novo Banco, pouco mais de um mês depois de este ter sido criado, e transmitiu ao Parlamento que se os deputados quisessem informações adicionais teriam de consultar o comunicado emitido aquando da sua demissão, conhecida na semana passada na sequência de uma notícia do jornal Expresso.

Os deputados dos partidos da oposição não ficaram satisfeitos com a indisponibilidade de Vítor Bento para prestar esclarecimentos na comissão de orçamento e já estão a planear voltar a convocá-lo para a comissão de inquérito que acaba de ser criada no Parlamento, e à qual não pode se pode recusar a responder.

João Semedo, líder parlamentar do BE, diz ao Observador que apesar de ainda não terem discutido o tema, “é inevitável” chamar Vítor Bento.

O deputado do PS António Braga, também diz que o seu partido “deve pedir” a audição do ex-presidente executivo do BES e do Novo Banco, enquanto fonte do grupo parlamentar do PCP garantiu ao Observador que esta audição será mesmo pedida.

Por outro lado, o deputado do PSD Duarte Pacheco garante que a maioria parlamentar não irá inviabilizar a audição de Vítor Bento na comissão de inquérito.

Segundo o estatuto das comissões de inquérito, a lei “dá-lhe poderes de investigação próprios das autoridades judiciais e demais poderes e direitos previstos na lei”, que, neste caso, faz equivaler uma recusa da presença numa audição a uma falta em tribunal.