A autoridades chineses advertiram que qualquer ideia de importar “uma revolução colorida” na China continental será uma “fantasia”. “Até mesmo os jovens estudantes são obrigados a respeitar a lei. As ações tomadas pela polícia de Hong Kong face ao movimento ‘Occupy Central’ são absolutamente necessárias para fazer respeitar a lei”, escreve o Diário do Povo, jornal do jornal do órgão central do Partido Comunista chinês.

“Face aos manifestantes que ignoram as ordens da polícia, que se precipitam para transgredir os cordões de segurança, e que querem atingir os polícias com os seus guarda-chuvas (…) a polícia não tem outra alternativa senão usar o gás lacrimogéneo”, continua o editorial contra o movimento pró-democrata em Hong Kong, considerado “ilegal” por Pequim.

A mobilização na antiga colónia britânica intensificou-se depois de violentos confrontos, no passado domingo, com a polícia, que tentou dispersar os manifestantes recorrendo ao uso de gás lacrimogéneo e de gás pimenta.

“Os polícias de Hong Kong dão mostras de um grande profissionalismo, as ações que eles tomam são necessárias, razoáveis e moderadas, e não há nenhuma razão para contestar a maneira como atuam para fazer respeitar a lei”, acrescenta o artigo.

As forças da ordem optaram nos dias seguintes por uma maior contenção perante a designada “Revolução dos guarda-chuvas”, que mobilizou milhares de pessoas, sobretudo estudantes, e tem perturbado o normal funcionamento do centro financeiro e comercial da ilha de Hong Kong e do distrito densamente povoado em Mong Kok, na península de Kowloon.

Mas os líderes estudantis acusaram os polícias de terem permitido a violência, ao fecharem os olhos, esta sexta-feira, aos ataques extremamente fervorosos contra as tendas e barricadas dos estudantes por parte de pessoas contra o movimento ‘Occupy’, ações essas que foram participadas por indivíduos suspeitos de terem ligações à máfia.

A própria polícia de Hong Kong confirmou que, entre os detidos, se encontram membros de tríades, como tinham denunciado os jovens.

“Quanto àqueles que querem importar e desenvolver, a partir de Hong Kong, uma “revolução colorida” no interior da China, eles sonham, porque isso não mais do que pura fantasia”, lê-se ainda no Diário do Povo.

Numa altura em que Pequim é atualmente descrita como estando preocupada com a propagação de apelos à subversão no país, a internet na China estava hoje fortemente censurada, descreve a agência France Presse.

Sinal do seu nervosismo, continua a AFP, é o facto de esta semana as autoridades chinesas terem detido mais de 20 militantes que tinham expressado o seu apoio aos manifestantes de Hong Kong, segundo associações de defesa dos direitos humanos.