O Tesouro português deverá suportar esta quarta-feira uma taxa de juro a rondar 1,8% numa emissão de dívida pública realizada através de leilão de obrigações a cinco anos. A taxa corresponde a menos de metade do custo superior a 4,65% suportado pelo IGCP na última vez que foi emitida dívida com este prazo, em janeiro.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) pretende obter entre 750 milhões e 1.000 milhões de euros no primeiro de “um ou dois” leilões de dívida de longo prazo que o organismo planeia para este último trimestre do ano. A julgar pelos preços a que estão a ser negociados no mercado títulos semelhantes aos que vão ser emitidos quarta-feira, as obrigações serão colocadas a um preço que pressupõe uma rendibilidade implícita (“yield”) a rondar os 1,8%.

A confirmar-se este custo, será menos de metade da taxa suportada em janeiro. No início do ano, o Estado emitiu dívida a cinco anos a uma “yield” de 4,657%. Na altura, tratou-se de uma emissão sindicada, tendencialmente uma operação com menos risco do que uma emissão através de leilão como a que o IGCP faz esta quarta-feira. Num leilão, os investidores fazem, por sua iniciativa, licitações sobre a quantidade de títulos e a taxa pretendidos. Já numa emissão sindicada há um “marketing” prévio realizado pelos bancos que compõem o sindicato de colocação.

Juros pagos ao FMI são o dobro

Cerca de 1,8% é também a taxa que o Estado português suportava em outubro de 2013, ou seja, há um ano, para se financiar num prazo muito mais curto – a nove meses – com a emissão de um instrumento normalmente visto pelos investidores como tendo muito menos risco associado, os bilhetes do Tesouro (dívida de curto prazo).

É também um custo que corresponde a metade da taxa de juro média paga nos empréstimos ao FMI – 3,5% – ainda que estes tenham um prazo um pouco mais alargado de sete anos. Daí a hipótese admitida no início de setembro pelo governo de seguir a Irlanda num eventual pagamento antecipado de parte dos empréstimos do FMI. É que as medidas de estímulo anunciadas pelo BCE estão a levar os juros da dívida para mínimos históricos em toda a Zona Euro e torna-se mais vantajoso o recurso ao mercado de dívida pública.

A última emissão de dívida a longo prazo feita pelo Estado português foi a 3 de setembro, altura em que o IGCP contratou um conjunto de bancos para se encarregar da colocação de títulos a 15 anos. Foram, nesse dia, emitidos 3.500 milhões de euros em dívida. O encaixe a realizar na quarta-feira será já uma operação de pré-financiamento das necessidades de 2015, já que o financiamento para este ano já está garantido, segundo o IGCP.