O PS quer ouvir Rui Machete sobre a participação de Portugal no combate aos jihadistas do Estado Islâmico. A decisão dos socialistas acontece na sequência da revelação do ministro dos Negócios Estrangeiros de que há “dois ou três” portugueses que se juntaram ao Estado Islâmico e que querem regressar. A revelação aos microfones da Rádio Renascença deu polémica junto das secretas, de acordo com o Diário de Notícias. E o PS quer agora que Machete explique a revelação de informação sensível para a segurança.

No requerimento que apresentaram na Assembleia da República, para pedir explicações com urgência ao responsável pela área das relações internacionais, os socialistas não referem as declarações de Rui Machete. Dizem apenas tratar-se de uma audição “a propósito da participação de Portugal no esforço internacional de combate ao Estado Islâmico”, num requerimento apresentado pelo deputado Marcos Perestrello.

Uma vez que se trata de informação sensível, o PS admite que a audição, a realizar na comissão de Negócios Estrangeiros da Assembleia da República, seja feita à porta fechada, uma vez que os deputados têm dever de reserva no que toca a informações sobre segurança nacional.

Regresso de jovens que se juntaram ao Estado Islâmico tem sido um dos pontos em debate na Europa com o crescimento da recruta de ocidentais para as fileiras jihadistas.

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Em causa estão declarações de Rui Machete em entrevista à Renascença, em que o ministro revelou que “no caso português já há dois ou três, sobretudo raparigas, que se deixaram encantar pelo entusiasmo dos noivos ou por um espírito de aventura, que agora estão a querer voltar. Há 12 ou 15, não sabemos bem, mas é um número muito reduzido”, disse.

Quando ao regresso dos portugueses, Machete referiu: “Tal como não tiveram autorização para sair, também não pedem autorização para voltar”. O regresso de jovens que se juntaram ao Estado Islâmico tem sido um dos pontos em debate na Europa com o crescimento da recruta de ocidentais para as fileiras jihadistas. O ministro admitiu que o regresso destes portugueses “é um problema que não podemos ignorar, porque não podemos deixar que as pessoas voltem sem fiscalização”.