A bolsa de São Paulo abriu a cair mais de 6% na primeira sessão após a reeleição de Dilma Rousseff. Também o real está a cair, mais de 3%, face ao euro e ao dólar. Para os investidores, mais um mandato de Dilma na Presidência significa que as reformas estruturais vão continuar a ficar por fazer e que o crescimento vai continuar baixo.

“O Brasil dececionou os investidores ao reeleger Dilma Rousseff. Diminuíram, se é que não morreram mesmo, as esperanças em relação a reformas que resolvam os problemas estruturais na economia brasileira”, lamenta Craig Botham, economista especializado em mercados emergentes da gestora de ativos Schroders, em nota a que o Observador teve acesso.

O pessimismo do especialista da Schroders estará a ser partilhado pela maioria dos investidores na bolsa de São Paulo. O índice iBovespa abriu a cair mais de 6% e perde mais de 21% desde os máximos fixados no início de setembro. As perdas estão a ser transversais às principais empresas da bolsa: a Petrobras cai 13%, o Banco de Brasil desce 12% e a Eletrobras recua 14%.

“Acreditávamos que o crescimento no próximo ano seria fraco independentemente de quem ganhasse – as reformas levam tempo e podem ser dolorosas – portanto o resultado da eleição não altera as nossas projeções para 2015. No entanto, as perspetivas a longo prazo são mais negativas”, diz a Schroders. A parte boa das eleições? “O fim da incerteza e da volatilidade: agora o mercado sabe que pode esperar mais do mesmo, por muito mau que isso seja”, diz Craig Botham, da Schroders.

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O Brasil tem estado sob ameaça das agências de “rating”, que avisam que sem reformas no mercado de trabalho e na despesa do Estado poderá haver um corte da notação de risco do país. Algo que aumentaria, em teoria, aumentará os custos suportados pelo Estado brasileiro para se financiar nos mercados internacionais.

Em nota a que o Observador teve acesso, os analistas do Citi mantêm a previsão de um crescimento de 1% do produto interno bruto em 2015. É um valor de crescimento muito baixo para uma economia que é considerada emergente, o que está a reduzir o grupo de investidores em ativos brasileiros, desde as ações à dívida pública, passando pelo investimento direto estrangeiro.

“Tendo em conta as condições externas e as dinâmicas do crédito, é difícil estar otimista de que o crescimento possa exceder os 1% em 2015”, afirma o Citi.