Os Serviços Secretos australianos consideram não existir uma razão válida de segurança para proibir o uso de burca no país e defendem que a medida vai provocar tensões sociais crescentes, segundo um relatório confidencial divulgado hoje pela imprensa local.

O documento assinala que, sendo verdade que a burca pode esconder a identidade de uma pessoa ou um objeto junto ao corpo, essa situação também pode suceder com qualquer outra peça de vestuário que cubra a cabeça ou o corpo e, portanto, “nesse sentido, não representa uma ameaça adicional ou especial”.

“Qualquer medida nesse sentido [de proibir a burca] terá implicações negativas, incluindo o aumento das tensões e desconfiança entre as comunidades e forneceria combustível à propaganda extremista, ao recrutamento e aos esforços de radicalização”, aponta o texto citado pelo jornal Sydney Morning Herald.

O relatório, com data de 08 de fevereiro de 2011, indica que uma proibição podia fazer com que as mulheres que usam burca ficassem isoladas em casa e que outras mulheres que professam o islamismo, mas não usam burca, a passassem a usar como reação.

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A Austrália debate a possibilidade de proibir o uso de burca desde 2010, mas a polémica acentuou desde que o país elevou o sinal de alerta de segurança devido à ameaça dos movimentos ‘jihadistas’.