O défice comercial voltou a agravar-se no terceiro trimestre do ano, em mais 185,1 milhões de euros, com as importações a continuarem a aumentar mais que as exportações, de acordo com os números dados a conhecer hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

As importações de bens cresceram 2,5% entre julho e setembro deste ano, quando comparado com os resultados do ano anterior, muito por culpa de um aumento de 23,1% nas importações de produtos na categoria Material de Transporte e Acessórios, onde se destaca a importação de automóveis.

O ritmo de crescimento das importações de bens ganham ainda mais relevância quando se olha para o ritmo de crescimento das exportações: apenas 1,5% face ao que se verificava no terceiro trimestre de 2013.

O resultado é um agravamento do défice comercial em 185,1 milhões de euros, e consequentemente na balança externa. O desequilíbrio vê-se na diminuição da taxa de cobertura das importações pelas exportações que caiu em 0,8 pontos percentuais, para os 80,3%. Ou seja, os bens vendidos só cobrem 80,3% do que Portugal comprou ao exterior neste período.

O desequilíbrio é mais evidente se se olhar para os números do comércio com os países da zona euro, cuja taxa de cobertura cai em 3 pontos percentuais, porque apesar das exportações terem aumentado 1,5% para estes país, as importações cresceram de forma bem mais pronunciada: 5,8%.

Ou seja, Portugal vendeu mais 100,4 milhões de euros em bens a países da zona euro, mas em compensação comprou mais 533,7 milhões de euros.

O saldo com a zona euro é a grande explicação do desequilíbrio nas contas externas, com um défice comercial de 2,8 mil milhões de euros.

Já os resultados das trocas com os países que não fazem parte da União Europeia, o resultado é consideravelmente menos negativo, mas também com fluxos muito inferiores. As exportações para estes países caíram 0,2%, mas as importações caíram ainda mais, 6,5%.

O défice com estes países caiu de 703,1 milhões de euros para os 433,9 milhões de euros.