As forças iraquianas recuperaram a cidade petrolífera de Baiji, que se encontrava em poder dos extremistas do Estado Islâmico desde junho passado. Baiji é a maior cidade recuperada até ao momento pelas tropas governamentais iraquianas ao Estado Islâmico, que controlavam a zona há quase seis meses, altura em que os extremistas decretaram o “califado” do Iraque e da Síria.

Em Baiji está localizada a maior refinaria de petróleo do Iraque, sendo que a cidade está ligada por autoestrada a Mossul, a segunda maior cidade do país. A reconquista da cidade afastou os extremistas para a região de Tikrit, de maioria sunita, mais a sul, onde fica situado o local de nascimento do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein.

Apesar da derrota em Baiji, o Estado Islâmico controla ainda uma grande parte de território norte do Iraque assim como detém posições na Síria. “As forças iraquianas conseguiram recuperar o controlo total da cidade de Baiji”, disse à France Press, Ahmed al-Krayim, chefe do concelho provincial de Salaheddin.

Soldados, polícias, milícias xiitas e grupos tribais estiveram envolvidos na operação militar em Baiji e tentam agora progredir para norte, acrescentou Krayim. “As forças iraquianas estão agora a caminho da refinaria de Baiji”, a norte da cidade tendo conseguido enfrentar diversos contra-ataques dos extremistas. De acordo com as forças de Bagdade, a tomada da refinaria pode vir a constituir outra “importante vitória” para o governo.

A operação para a reconquista de Baiji começou há quatro semanas, tendo as forças comandadas pelo Exército de Bagdade avançado a partir do sul, numa campanha várias vezes perturbada sobretudo pelas minas e engenhos explosivos de fabrico artesanal colocados nas vias de acesso à cidade.

A refinaria de Baiji chegou a produzir cerca de 300 mil barris por dia, conseguindo atingir cinquenta por cento das necessidades do país. Devido à guerra vai ser preciso algum tempo para recuperar os níveis de produção do passado. Por outro lado, a Comissão das Nações Unidas para a Síria divulgou hoje o primeiro relatório sobre os crimes atribuídos ao Estado Islâmico e que inclui, segundo a France Press, “imagens horríveis” das condições de vida nas áreas que são controladas pelos extremistas. O relatório refere massacres, decapitações, atos de tortura, escravidão sexual e violações.