Autarcas, empresários e utentes assinalam os cinco anos do encerramento do Ramal da Lousã, exigindo todos, com algumas diferenças de opinião, a “imediata conclusão” das obras e a reposição do transporte ferroviário.

Os municípios envolvidos no projeto do metro (Lousã, Miranda do Corvo e Coimbra) reclamam “o arranque imediato da instalação” do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), disse à agência Lusa o presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado.

O empreendimento da Metro Mondego (MM) foi iniciado na ferrovia em 02 de dezembro de 2009, pelo último Governo de José Sócrates, que a seguir mandou suspender as obras.

Criada em 1996, a MM “está bloqueada por obstrução deliberada do Governo”, segundo o socialista Manuel Machado.

A empresa “não tem um plano de ação” para 2015, enquanto as últimas contas também não foram ainda aprovadas pela assembleia geral, criticou o também presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses.

Na sua opinião, “falta apenas” o Governo “tomar decisões” que permitam, com fundos comunitários, concluir as obras no Ramal da Lousã e construir depois o troço urbano do SMM, entre a Baixa da cidade e os hospitais de Coimbra.

Manuel Machado falava na zona da cidade onde foram demolidos vários edifícios para abrir caminho ao metro.

“Coimbra não pode continuar a observar, com indiferença, esta cratera no coração da cidade”, que integra o conjunto classificado pela UNESCO, em 2013, como Património Mundial da Humanidade.

Para viabilizar o metro, enquanto projeto “eficiente, com rentabilidade económica e social”, a autarquia disponibilizou-se este ano a incluir os Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra na Metro Mondego.

“Não sei o que é que vai ser preciso mais ofertar para que a obra se concretize”, observou.

Junto à estação de comboios da Lousã, fechada em 2009, o industrial José Redondo reconhece que “o lóbi rodoviário teve mais força que o lóbi ferroviário” e lamenta a falta do caminho-de-ferro.

“Sinto-me desolado por a linha estar encerrada há cinco anos”, disse.

Os governos deveriam manter “um ramal que tanta falta faz à população”, desde que estivessem “virados para o desenvolvimento ferroviário, coisa que não aconteceu”, lamentou à Lusa o fabricante do “Licor Beirão”.

Luís Antunes, presidente da Câmara da Lousã, assume “um sentimento de tristeza e frustração” pelo arrastamento do processo.

“Falta o Governo cumprir os compromissos assumidos”, preconizou.

Ao contrário da presidente da Comissão de Coordenação do Centro, Ana Abrunhosa, o autarca do PS recusa uma eventual opção pelo “bus rapid transit” (BRT) e salienta que “todas as conclusões apontam para uma solução ferroviária”.

Para Augusto Paulo, antigo diretor do jornal Mirante, de Miranda do Corvo, também “os autarcas têm muita responsabilidade” na atual situação.

“Se tivessem tido um pensamento de servir a população, teriam sido liminarmente contra” o desmantelamento da ferrovia, acusou.

A estudante Ângela Cândido, residente da Lousã, desloca-se diariamente para a Faculdade de Farmácia, em Coimbra, nos transportes rodoviários alternativos ao comboio.

“Era bastante preferível a automotora. Foi-nos prometido um metro quando eu estava a iniciar o secundário”, recordou.

O presidente socialista da Câmara de Miranda, Miguel Baptista, quer “que seja feita justiça” pela perda do comboio.

“Espero bem não ser preciso esperar mais cinco anos”, exigiu.