O Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP) descreveu como “rocambolesca e provocatória” a prisão de José Sócrates. Num comunicado de imprensa, disponível na página oficial do partido e intitulado “Sobre a prisão de Sócrates – Contra-revolução em marcha”, o partido de inspiração maoista acusou a Polícia Judiciária (PJ), o Ministério Público (MP), o juiz Carlos Alexandre e a “polícia política” (SIRP e SIS) de estarem a protagonizar um “verdadeiro golpe de Estado (…) que visa directamente os partidos à esquerda do PSD”.

Apesar de admitir que “nunca morreu de simpatias por José Sócrates e pelo seu Governo”, o PCTP/MRPP disparou várias críticas na direção dos envolvidos na detenção e posterior prisão preventiva do antigo primeiro-ministro, acusando-os de quererem desviar as atenções de outros casos mediáticos, como a Operação Labirinto.

“(…) A Polícia Judiciária, pela mão de famigerados justiceiros como Rosário Teixeira, com a cobertura de agentes do Ministério Público e de juízes como Carlos Alexandre, depois de ter abortado prematuramente a Operação Labirinto no caso dos vistos Gold, [permitiu] que Miguel Macedo e outros altos quadros do Estado, do Governo e do PSD pudessem escapar à prisão“, pode ler-se no comunicado.

Mas as acusações do partido à justiça portuguesa e aos órgãos judiciais não se ficam por aqui: a decisão de “deixar à solta Ricardo Salgado, chefe do maior gang de gatunos e financiador das campanhas eleitorais de Cavaco e do PSD” é vista como um meio para “atingir e perseguir os partidos de esquerda” e para “consolidar o poder do atual governo e coligação de traição nacional PSD/CDS“. Ao mesmo tempo, acredita o PCTP, estas mesmas autoridades nunca agiram com empenho semelhante perante as suspeitas que recaíram sobre Paulo Portas e Durão Barroso.

O rol de críticas continua: além do caso da prisão de José Sócrates, “uma importante figura do PS, com quem os atuais dirigentes do PS mais se identificam politicamente”, as investigações a Ferro Rodrigues (a propósito do caso Casa Pia) e, mais recentemente, a condenação do ex-ministro socialista Armando Vara a cinco anos de prisão efetiva foram descritas como “operações de assassinato político contra altos dirigentes do PS”, perpetradas com a “colaboração objetiva do Presidente da República”, que “fecha os olhos e deixa passar uma situação que é (…) de manifesto irregular funcionamento das instituições democráticas e de crise constitucional”.

Cavaco Silva devia, por isso, “dissolver a Assembleia da República e marcar logo as novas eleições legislativas”, para dar “uma nova oportunidade à democracia constitucional”, pode ler-se, por fim, no comunicado do partido fundado em 1970.