Ana Mato, ministra da Saúde espanhola, apresentou esta quarta-feira a carta demissão a Mariano Rajoy, primeiro-ministro, devido ao seu envolvimento no Caso Grütel — esquema de corrupção que envolve 17 políticos do Partido Popular (PP), ao qual pertence Mato. A decisão surgiu cerca de uma hora após a titular do cargo ser citada em tribunal como “participante a título lucrativo” no caso.

A ministra foi mencionada por Pablo Ruz, juiz da Audiência Nacional, tribunal sediado em Madrid, como “beneficiadora”, escreve o El País, dos delitos alegadamente cometidos pelo ex-marido, Jesús Sepúlveda, antigo senador do PP e um dos 43 imputados no tal esquema de corrupção.

Em causa no Caso Grütel está o pagamento, por parte de empresas de construção e empreiteiros, de verbas a rondar os 10 milhões de euros, em troca de contratos para a construção de imóveis ou prestação de serviços em Madrid, município governado pelo Partido Popular.

Ana Mato, através de um comunicado enviado, ainda, pelo Ministério da Saúde espanhol, insistiu que a justiça citou o seu nome “para efeitos meramente civis” — devido, justificou, “à [sua] situação familiar no momento em que supostamente se produziram os atos” dos quais o ex-marido é acusado.

O juiz da Audiência Nacional espanhola defendeu que Ana Mato utilizou 55.439 euros, cuja origem era “supostamente criminosa”, para pagar “serviços turísticos” ou “eventos familiares”.

O pedido de demissão, prosseguiu, serve para evitar que a “permanência nesta responsabilidade” possa “ser utilizada para prejudicar o governo de Espanha, o primeiro-ministro e o PP”. Ana Mato, de 55 anos, ocupava o cargo desde dezembro de 2011 e, por enquanto, deverá ser substituída por Soraya Sáenz de Santamaría, até agora vice-primeira-ministra do governo espanhol.