A administração da PT SGPS disponibilizou esta terça-feira a proposta de venda da PT Portugal à Altice apresentada pela brasileira Oi que será votada pelos acionistas da holding portuguesa a 12 de janeiro de 2015. No documento são feitos vários alertas aos riscos desta alienação. Para além do negócio não mitigar nenhum dos riscos já associados à fusão entre as duas empresas, cria ainda incertezas adicionais.

A PT SGPS diz que o preço oferecido pode não corresponder ao justo valor da PT Portugal, para além de que não há qualquer compromisso de que os acionistas da PT tenham algum benefício com a venda. O encaixe ficará na Oi que o pretende usar para financiar a compra da Tim no Brasil. A gestão da PT SGPS avisa ainda de que não há garantias de que os benefícios prometidos pela Oi em caso de consolidação sejam cumpridos. E se a PT Portugal for vendida, provavelmente irá recuar na OPA que lançou sobre a PT SGPS.

A empresa portuguesa assinala mesmo que a utilização pela Oi de expressões como: “irá”, “será”, “poderá”, “deverá”, “poderia”, “deveria”, “estima”, “tem como objetivo”, “antecipa”, “acredita”, “calcula”, “espera”, “prevê”, “pretende”, “planeia”, “prediz”, “projeta” e “aponta para” e outros similares “destinam-se a identificar declarações relativas a factos futuros, que envolvem necessariamente riscos e incertezas, conhecidos e desconhecidos”.

PT SGPS, que é acionista da Oi no quadro da fusão entre as duas operadoras, explica que não vai emitir opinião sobre o negócio proposto pela parceira brasileira, uma vez que a gestão está limitada pela oferta pública de aquisição (OPA) lançada por Isabel dos Santos. E mesmo sem a OPA, a gestão de João Mello Franco considera que o tema teria sempre de ser levado aos acionistas tal como foram os acordos assinados com a Oi.

Na proposta a discutir em assembleia geral, é ainda divulgada a oferta da Altice e a justificação dada pela Oi para a decisão tomada em tempo recorde de vender a PT Portugal. Os brasileiros invocam alterações no mercado brasileiro que reforçam a necessidade de consolidação interna e dizem que a PT Portugal é o único ativo fora do Brasil que dará um encaixe relevante para permitir à Oi protagonizar um processo de aquisição.

Oi responsabiliza investimento da PT na Rioforte

A Oi queixa-se ainda da evolução desfavorável da sua situação financeira e da dívida, apontado o dedo à PT SGPS por causa do investimento de 900 milhões de euros feito na Rioforte, holding do Grupo Espírito Santo, e entretanto dado como perdido, mas também sublinha a incapacidade de uma venda rápida dos ativos previstos. Um dos problemas é o conflito acionista entre a PT e e os acionistas angolanos da Unitel liderados por Isabel dos Santos que dificultam a alienação desta posição.