A primeira tentativa para privatizar a TAP teve a assinatura de um Governo socialista, o de António Guterres, em 1997. Era então ministro do Equipamento João Cravinho que chegou a acordo com a Swissair para a venda de 49% da transportadora aérea nacional.

“O Estado queria assegurar o seu domínio estratégico. E a Swissair queria criar sinergias, estava interessada nos voos para América do Sul e ia valorizar o hub de Lisboa”, recorda Cravinho ao Observador. Na análise das propostas, a Swissair, que tinha como um dos acionistas o próprio Estado suíço, passou à frente da Air France. “Era uma empresa muitíssimo sólida”, relembra o ex-ministro. Foi ainda a Swissair quem teve uma palavra decisiva na escolha do homem que ainda hoje em dia está à frente da TAP, o gestor brasileiro Fernando Pinto. A nomeação foi feita pelo sucessor de Cravinho no ministério, Jorge Coelho, e ao abrigo do acordo que existia com a empresa suíça, teve que ter o ‘ok’ daquele que seria em breve um dos acionistas.

A Swissair, porém, não teve um fim feliz. “Houve uma desagregação interna da empresa, que foi substituída por outra num processo de quase falência”, recorda Cravinho. Cai então por terra, em 2001, a privatização que estava a ser preparada e que tinha tido o seu primeiro passo em 1991 quando o então primeiro-ministro, Cavaco Silva, confere à TAP o estatuto de sociedade anónima.

Se a privatização da TAP não é uma história nova, as dificuldades de negociação com os trabalhadores também não. Aliás, são estes um dos principais opositores à privatização. Uma força sindical que, conforme disse Vital Moreira no jornal Económico, “exercem um eficaz poder de veto na gestão da empresa”.

A greve convocada para dias 27 a 30 de dezembro é claramente contra a privatização da empresa que o Governo quer fazer. A proposta de privatizar, numa primeira fase, 66% da empresa já seguiu para promulgação do Presidente, mas ainda aguarda decisão de Cavaco, o mesmo que tentou iniciar o processo há 23 anos.