Marcelo Rebelo de Sousa disse que a direção do partido quer Rui Rio para as presidenciais de 2016, afastando-o assim da liderança do PSD, caso Pedro Passos Coelho perca as legislativas no final do ano. A surpresa para o professor foi Jardim que falou sobre a sua disponibilidade para suceder a Cavaco, enquanto o avanço de Santana Lopes foi algo “que esteve sempre em cima da mesa”. No entanto, esta variedade de candidatos à direita “é um favor para a esquerda” e pode levar a que não haja segunda volta nas presidenciais face a um candidato “forte” à esquerda.

O professor disse no seu espaço habitual de comentário na TVI que “há muita gente com mais de 35 anos a tempo de se candidatar” e que Passos Coelho tem outras prioridades neste momento como as legislativas de 2015 e que é “uma questão de esperar” para saber quem avança à direita para Belém. No entanto, o ex-líder do PSD disse que a direção do partido tem vindo a preferir Rio para as presidenciais – o Observador sabe que a direção fala regularmente com o ex-autarca -, estreitando assim as relações e “controlando” a eventual vontade em candidatar-se à liderança do partido após as eleições de outubro, caso Passos Coelho perca as legislativas.

Quanto à manutenção da coligação com acordo pré-eleitoral, o comentador considera que “é tudo um problema de sondagens”. “Se o PSD estiver muito forte, não faz sentido fazer finca-pé na coligação”, avisou Marcelo dizendo que entendimentos antes das eleições com o CDS só se o partido se mantiver abaixo dos 30% nas intenções de voto. Quanto ao “timing” do anúncio, o ex-líder do PSD diz que “não é dramático”, desde isso não contribua para “desgastar o Governo”. Quanto ao desenlace das eleições, Marcelo disse que Cavaco Silva abriu esta semana a porta a um governo minoritário, quando o Presidente este admitiu que “possa haver Governo com apoio no Parlamento”.

Sobre outro tema da semana, a divulgação dos custos do desenvolvimento do projeto do TGV – 153 milhões de euros -, Marcelo disse que a obra “era uma megalomania” e que com dinheiro “tudo é concebível”, mas que com a crise não era possível.

Quanto à assembleia-geral da PT que se realiza esta segunda-feira, Marcelo diz que se vai discutir se há ou não hipótese para retirar a PT do controlo da Oi e “ver quem é que dá dinheiro para comprar a PT Portugal à Oi”. “Quando as coisas nascem tortas, o resultado é tortíssimo”, disse Marcelo sobre os negócios da PT, que envolviam também o BES e a Caixa Geral de Depósitos.