A França vai investir mais de 700 milhões de euros e reforçar com mais 2700 pessoas as equipas de luta contra o terrorismo, num plano a três anos, disse hoje o primeiro-ministro Manuel Valls. As autoridades têm de vigiar cerca de 3.000 pessoas que creem ter ligações ao radicalismo islâmico.

Quinze dias após os ataques ao jornal satírico francês Charlie Hebdo, o Governo francês deu a conhecer o seu plano de reforço da luta contra o terrorismo.

“O número de radicais no país está a crescer constantemente. Os serviços secretos franceses precisam de vigiar cerca de 3.000 radicais islâmicos. Em particular, cerca de 450 pessoas estiveram envolvidos em combates no Paquistão, Afeganistão e no Iémen, e, neste momento, estão a enviar voluntários para a Síria e para o Iraque”, explicou o governante francês.

Para que isto aconteça, o Governo francês já colocou no terreno mais de 10 militares colocados no terreno, estando prioritariamente a proteger locais de culto judaicos e muçulmanos. Boa parte do reforço de meios humanos terá como destino a Direção Geral da Segurança Interna e a polícia de Paris (cerca de 1.400). Os restantes serão divididos entre diferentes jurisdições.

O reforço financeiro, cerca de 736 milhões de euros em três anos, será usado também para reforçar os equipamentos das forças de segurança, em especial das polícias. O Governo pretende também reforçar as equipas do Ministério Púbico francês encarregues deste tipo de casos, assim como da recolha de informação nas prisões, o agrupamento de detidos islâmicos e isolamento da população geral nas prisões, e o reforço de clérigos muçulmanos a dar apoio aos prisioneiros detidos.

Outra das medidas é a criação de uma espécie de ficheiro do terrorista, que identifica as pessoas “condenadas ou implicadas” em atos de terrorismo. Estes suspeitos terão de provar que não estão envolvidos neste tipo de atividades de forma regular.

A luta contra a propaganda radical será feita também na Internet, com o reforço das unidades de luta contra o ciberterrorismo, que serão também reforçadas com procedimentos mais “rápidos e eficientes” para bloquear páginas na Internet que defendam o terrorismo.

Por fim, mas também um dos pontos-chave entre as medidas anunciadas por Manuel Valls, é o controlo das fronteiras externas ao espaço Shengen, o reforço dos controlos de segurança nos aeroportos e a possibilidade de revogar os passaportes aos radicais islâmicos.