O grupo de extrema-direita inglês “Britain First” recuperou a sua campanha de patrulhas de rua, denominadas “Patrulhas Cristãs”, e que têm como objetivo lutar contra aquilo que chama a islamização, escreve o Independent. As ações deste grupo regressaram depois dos ataques de há duas semanas em Paris contra o jornal satírico Charlie Hebdo e um supermercado kosher.

No Facebook deste grupo, que apresenta como imagem de capa um gigantesco apelo à luta contra a islamização, pede-se que os britânicos digam “não” à Sharia, às mesquitas e ao terror. Foi nessa página que o “Britain First” publicou um vídeo que mostra elementos do grupo a percorrerem as ruas da zona leste de Londres – a que chamam “Londres ocupada” – num Land Rover que pertenceu ao exército.

O seu objetivo passa por tornar as ruas “seguras para as nossas pessoas”, declara o grupo. Paul Golding, o auto-intitulado líder do “Britain First”, aparece, juntamente com Jayda Fransen, uma ex-candidata a deputada, a distribuir folhetos que apelam à proibição das mesquitas e dos niqabs e justificam a ação das patrulhas cristãs como uma espécie de contra-ataque. Isto porque, garante o grupo, há patrulhas muçulmanas a operar na área, confiscando álcool e incomodando as mulheres.

No final do vídeo vê-se a polícia a intervir para impedir confrontos entre os elementos do “Britain First” e os residentes muçulmanos.

https://www.youtube.com/watch?v=_20GTpzzFy0

Este grupo estava quase adormecido, segundo o Independent, não conseguindo financiamento, nem elementos suficientes para as patrulhas. Esta foi a primeira patrulha em quarenta anos e surge depois de alguns ministros britânicos terem enviado uma carta conjunta aos líderes muçulmanos do país, pedindo-lhes que esclarecessem de que forma o Islão “pode ser parte integrante da identidade britânica”, após os ataques em Paris que resultaram na morte de 17 pessoas.

A deputada trabalhista Rushanara Ali, eleita pelo círculo de Bethnal Green e Bow (leste de Londres) já condenou as patrulhas cristãs. “A população do leste de Londres rejeitou sempre o ódio e a intolerância. A retórica de grupos extremistas como o ‘Britain First’ não tem lugar aqui, na zona que, orgulhosamente, é uma das comunidades mais vibrantes e diversas do Reino Unido”, disse.