Rádio Observador

Médicos sem Fronteiras

O preço de vacinar as crianças nos países mais pobres disparou nos últimos anos

Embora o pacote de vacinação inclua o dobro das vacinas em relação a 2001, os preços praticados em 2014 foram até 68 vezes mais altos. As farmacêuticas dizem que preço de venda reflete preço de custo.

A vacinação das crianças dos países em desenvolvimento previne doenças mortais

PEDRO MAGALHAES/LUSA

É cada vez mais caro vacinar as crianças dos países mais pobres. Entre 2001 e 2014, o pacote de vacinas passou a custar 48 vezes mais para rapazes e 68 vezes mais para raparigas – 0,57 euros para 27,72 euros e 39,38, respetivamente -, segundo o relatório dos Médicos Sem Fronteiras (MSF). Apesar de o pacote agora cobrir 12 doenças (13 no caso das raparigas), mais seis do que em 2001, a organização considera que o preço que é pedido a mais supera em muito o valor das vacinas integradas.

A situação é agravada pela discrepância de preços praticada entre países. “Temos uma situação irracional onde alguns países em desenvolvimento, como Marrocos e Tunísia, estão a pagar mais pela vacina pneumocócica do que a França”, disse em comunicado Kate Elder, a conselheira da política de vacinação do grupo.

A Quartz reforça o exemplo da vacina pneumocócica, uma das mais caras do pacote, e que é usada contra um tipo de bactérias que mata mais de 800 mil crianças por ano. Embora os MSF tenham pedido aos laboratórios GlaxoSmithKline (GSK) e Pfizer para diminuir o preço das vacinas para cinco dólares (pouco mais de quatro euros), as empresas dizem que o preço cobrado reflete o preço de custo. A vacina, dada às meninas, contra o papiloma vírus humano, que provoca cancro do colo do útero, é produzida pela GSK e Merck e também está entre as mais caras.

O preço da vacinação em países onde esta é essencial para a sobrevivência das crianças tornar-se-á cada vez um problema maior à medida que a Gavi-Aliança para a Vacinação for deixando de subsidiar alguns destes países. Mais de um quarto dos 73 países apoiados vai deixar de receber subsídio no próximo ano. O fim dos apoios significa, por exemplo, que Angola vai passar a pagar 34,5 milhões de dólares (29,8 milhões de euros) em 2018 em vez dos atuais 2,3 milhões de dólares (cerca de dois milhões de euros).

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