Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 28 estados membros da União Europeia (UE) decidiram adiar, por uma semana, a entrada em vigor de novas sanções contra a Rússia e separatistas ucranianos pró-Moscovo. E porquê? Para que não haja qualquer obstáculo ao diálogo entre Rússia e Ucrânia.

A iniciativa foi apresentada pela alta representante para a Política Externa Europeia, Federica Mogherini, e apoiada, segundo o El País, pela França e pela Alemanha e até pelos próprios ucranianos, que veem este adiamento como uma ferramenta de negociação.

Para a próxima quarta-feira está marcada uma reunião entre a Rússia, a Ucrânia, a Alemanha e a França, em Minsk, e a ideia é não atrapalhar as negociações.

“A decisão sobre o tipo de sanções e as pessoas abrangidas foi tomada, mas só será publicada na segunda-feira, dando azo a que a reunião em Minsk possa decorrer e, se no fim houver um êxito, acabarem as sanções por serem revogadas por unanimidade”, declarou Rui Machete, o ministro dos Negócio Estrangeiros português.

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Para esta segunda-feira estava planeada a aprovação de novas sanções que na verdade mais não significa do que a extensão das sanções que já existem. Ou seja, o objetivo é acrescentar à lista das medidas punitivas – proibições de atribuição de vistos e congelamentos de capitais – 19 novos nomes e nove empresas. Se a reunião de quarta-feira não der em nada, as sanções serão aprovadas na próxima segunda-feira.

Essa lista conta com 132 pessoas e 28 empresas, a maioria da Crimeia ou de zonas separatistas do leste da Ucrânia, tidas como responsáveis pela escalada de tensão na Ucrânia.

O ministro espanhol García-Margallo revelou esta segunda-feira que as sanções têm um custo alto para a UE. Até à data, segundo o governante, já se perderam 21 mil milhões de euros em exportações.

Fornecimento de armas à Ucrânia divide países. Obama diz que fornecer armas à Ucrânia é uma opção

Questionado sobre a possibilidade de a União Europeia fornecer armas à Ucrânia, o ministro português Rui Machete clarificou não ter havido debate sobre essa questão na reunião desta segunda-feira. Sobre a posição de Portugal em relação ao fornecimento de armas a Kiev, o ministro referiu haver “argumentos a favor e contra”. “Os argumentos contra são que isso eleva o nível do conflito, os argumentos a favor são que dá – teoricamente – maiores possibilidades de defesa ao exército ucraniano”.

Esta segunda-feira, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, estiveram reunidos precisamente para falar do conflito ucraniano e numa conferência que sucedeu esse encontro, Merkel advertiu que não há garantias nas negociações com a Rússia sobre a Ucrânia, mas que é essencial fazer todos os esforços para alcançar uma solução diplomática.

Já o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que o seu governo está a considerar todas as opções para lidar com a crise na Ucrânia, inclusive fornecer armas à Ucrânia na sua guerra contra os rebeldes separatistas apoiados pelos russos caso os esforços diplomáticos falhem, mas acrescentou que nenhuma decisão tinha sido tomada.

“A possibilidade de armas defensivas letais é uma das opções que está a ser avaliada, mas ainda não tomei uma decisão sobre isso”, disse Obama, durante a conferência de imprensa, na Casa Branca.

Obama frisou ainda que a Rússia “não pode redesenhar as fronteiras da Europa pela força das armas”. “Continuamos a encorajar uma solução diplomática para esta questão”, disse Obama.