João Bilhim, presidente da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CRESAP), garantiu esta terça-feira, no programa Opinião Pública, da SIC Notícias, que os nomes propostos por esta entidade ao Governo para preencher lugares de topo na Administração Pública são de todas as cores partidárias, recusando assim que a CRESAP tenha qualquer responsabilidade pela escolha em massa de pessoas ligadas ao PSD e ao CDS/PP para a Segurança Social. Bilhim clarifica contudo que os “boys” de hoje, não são os “boys” de antigamente.

“Os nossos métodos de seleção visam apenas avaliar o mérito e não levam em linha de conta nem a cor partidária, nem o género, nem a religião, nem a etnia”, afirmou o presidente da CRESAP.

E por isso mesmo “as propostas [de três nomes] que saem da CRESAP não estão marcadas partidariamente, ou seja, há de todos os partidos. Depois a forma como o Governo escolhe um em três já não tem a ver connosco”, rematou.

O que acaba por acontecer, continuou, é que o membro do Governo acaba por apenas escolher “aquele que é da sua cor” e isso “não é ilegal”. Para evitar situações como a que foi noticiada na segunda-feira pelo Jornal de Negócios – e que revela que 14 das 18 nomeações definitivas para as direções dos Centros Distritais da Segurança Social são de pessoas do PSD ou do CDS/PP -, “bastava o membro do Governo atirar uma moeda ao ar e escolher aleatoriamente”. Dessa forma, disse Bilhim, “a probabilidade de alguém do partido do Governo ser escolhido seria inferior a 30%”.

Mas o presidente da CRESAP lembrou que não é por serem do PSD ou do CDS/PP que estas pessoas nomeadas são mais ou menos competentes e defendeu que não se devem confundir estes com os “boys” do passado.

“Os ‘boys’ antigos não passavam previamente por nenhum crivo. E estes senhores e senhoras nomeados para a Segurança Social têm uma vantagem relativamente às anteriores nomeações: é que pelo menos tiveram um selo de qualidade dado por uma entidade administrativa independente, que está proibida de receber ou pedir orientações ao Governo”, garantiu.