Ainda não houve acordo entre gregos e parceiros europeus, mas a líder alemã Angela Merkel mostrou-se disponível para “trabalhar” com o primeiro-ministro, Alexis Tsipras. Novidades sobre uma solução para a Grécia só na segunda-feira, depois da reunião do Eurogrupo. Na reunião do Conselho Europeu desta quinta-feira, em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apresentou um memorando de ideias para a reforma da zona euro e sublinhou, mais uma vez, a necessidade de mudanças que a transformem numa união monetária “plena”.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, apresentou as propostas para um acordo com os seus credores e as reformas que planeia para a Grécia, segundo disseram fontes presentes na reunião à Bloomberg. No entanto, a discussão sobre o país não demorou muito tempo. Ainda assim, alguns líderes europeus manifestaram-se: a Itália, pela voz de Matteo Renzi, a Áustria, por Werner Faymann, e o Chipre, por Nicos Anastasiades, apoiaram a Grécia. Já o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, opôs-se completamente ao Plano da Grécia.

O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, disse, já no final da cimeira, que a Grécia apresentou um plano “mais equilibrado”, embora tenha tido, até aqui, condições que “nenhum outro país” da zona euro teve. Durante a reunião, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, não fizeram comentários às propostas de Atenas.

Já o presidente Juncker, que falou na importância de os parceiros europeus se concentrarem numa união monetária mais forte, sublinhou que o acordo com a Grécia devia ser feito antes de segunda-feira. E mostrou-se preocupado com a situação grega. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, referiu estarem em curso “discussões técnicas” e que os parceiros europeus não entraram em “negociações”. Merkel, referem ainda as fontes da Bloomberg, disse estar disposta a trabalhar com “Tsipras”.

O memorando de Juncker

O presidente da Comissão Europeu, Jean-Claude Juncker, distribuiu pelos vários líderes europeus um documento de oito páginas, a que o Financial Times teve acesso, que é uma carta de intenções para uma zona euro mais consolidada, apesar do crescente sentimento antieuropeu em muitos estados-membros, como o Reino Unido.

Os representantes dos estados-membros já deixaram bem explicito estarem a sentir “fadiga” das reformas europias, mas Juncker defende que se a Europa não der um passo à frente, pode estar a contribuir para o “mal estar económico na zona da moeda única”.

“A zona euro não recuperou da crise da mesma forma que os EUA e isso pode dever-se ao facto de uma união monetária incompleta ajustar-se mais dificilmente do que uma com numa maior estrutura institucional” (tradução livre), lê-se no memorando.

O memorando de Jean-Claude Juncker surge na sequência de um projeto já conhecido do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que passa por uma verdadeira união monetária, incluindo um orçamento comum aos estados que partilham o euro.