A Grécia irá fazer todos os esforços para chegar a um acordo com os parceiros europeus na reunião dos ministros das Finanças do Eurogrupo de segunda-feira. O porta-voz do governo disse à agência Reuters que se isso não for possível, a Grécia ainda tem “algum tempo, pelo que não haverá problema“. As declarações surgem depois de o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, dizer no final do Conselho Europeu que o seu objetivo é fazer uma “transição do programa antigo para um novo“.

“Nós vamos fazer o que pudermos para que seja obtido um acordo na segunda-feira”, afirmou Gabriel Sakellaridis à Skai TV, citado pela Reuters. “Se não houver um acordo na segunda-feira, acreditamos que há ainda tempo, portanto não haverá problema”, nota o responsável.

A bolsa de Atenas está a subir 7,5% e a negociar aos níveis mais elevados desde dezembro, antes de serem marcadas eleições.

Bolsa grega sobe para máximos de dezembro

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Os investidores estão a ver sinais de aproximação entre o governo grego e a Europa. Esse otimismo está a refletir-se na bolsa de Atenas. Fonte: Bloomberg

 

Na quinta-feira, o próprio Alexis Tsipras, o primeiro-ministro, afirmou no final do Conselho Europeu que “a nossa transição do programa antigo para um novo é o objetivo exclusivo destas negociações” e que “será, também, o principal assunto de discussão da reunião do Eurogrupo na segunda-feira”. O responsável acrescentou que “a Grécia, durante estas negociações tem uma posição clara: vamos lutar e tentar convencer os parceiros europeus”, repetindo que “a Grécia não irá chantagear ninguém nem será chantageada”.

“Quero garantir ao povo grego e aos representantes gregos que foram dados passos importantes nestas negociações mas este é, ainda, um processo em curso”, notou Alexis Tsipras, mostrando-se “confiante de que estas conversações [no Conselho Europeu] irão facilitar as conversações com o Eurogrupo na segunda-feira”.

Até lá, Tsipras garante que o seu governo estará “em contacto com os nossos parceiros institucionais – Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu – para encontrar soluções comuns aceitáveis”. O grego deixa, contudo, uma garantia: “as reformas aplicadas no programa de resgate não funcionaram” e “a Grécia precisa de alguma folga orçamental”.

“Alívio para a Grécia só virá se líderes provarem que se pode confiar neles”

O anúncio de que o governo grego irá nos próximos dias trabalhar com especialistas das instituições da troika são boas notícias, aos olhos dos economistas dos bancos de investimento. Christian Schulz, do Berenberg Bank, diz que “é cada vez mais visível o choque de realidade para a nova liderança da Grécia”. A descida de 18% nas receitas fiscais (em comparação homóloga) em janeiro, mais de mil milhões de euros abaixo das estimativas do governo é uma das faces mais visíveis desse “choque de realidade” de que fala o economista alemão.

“O excedente orçamental que o governo de Samaras tinha conseguido com as reformas duras que fez já se evaporou, com a economia a enfraquecer em antecipação à vitória do Syriza”, diz Christian Schulz. Além disso, a perspetiva de descidas de impostos assim que o Syriza ganhasse as eleições terá inibido o consumo e feito reduzir as receitas fiscais.

Daqui para a frente, o especialista acredita que “pode haver compromissos, mas isso não passará por um tipo de medidas ‘de salvar a face’ como uma reestruturação da dívida ou um novo nome para a troika”. “Pode haver algum alívio do peso da dívida, mas provavelmente só depois de os novos líderes políticos da Grécia demonstrarem que se pode confiar neles”, conclui Christian Schulz.