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Base das Lajes: Negociações com EUA “não são fáceis”

Sem garantias concretas de cedências dos EUA, oposição diz que Governo levou à Assembleia "uma mão cheia de nada". Machete e Aguiar Branco insistem que negociações continuam, mas não são fáceis.

Ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros foram ouvidos esta terça-feira no Parlamento

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Negociações com os EUA sobre redução da sua presença na base das Lajes “não são fáceis” e nunca darão “satisfação plena” a Portugal, mas mesmo assim não serão dispensados 500 portugueses, como foi inicialmente apontado pelos EUA, mas sim 380, garantiu esta tarde no Parlamento o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete. Entre negociações e efetivas reduções no local, o ministro empurra o prazo para os trabalhadores portugueses serem “dispensados” dos seus postos para o final do ano, entre novembro e dezembro, ou seja, já depois de um novo Governo ter tomado posse.

“É razoável pensar que o tempo que se vai levar até concretizar a dispensa dos trabalhadores portugueses seja de 250 a 300 dias a partir de agora”, disse Rui Machete esta terça-feira no Parlamento, durante uma audição conjunta com o ministro da Defesa sobre o futuro da base das Lajes, no Parlamento. Quando, dia 8 de janeiro, os EUA anunciaram a decisão de reduzir a sua presença nas Lajes apontaram o prazo para o outono, dizendo que a redução seria gradual mas que implicaria 500 efetivos desta base aérea portuguesa nos Açores.

Agora, o ministro dos Negócios Estrangeiros, avança outros números que não coincidem com os avançados pelas autoridades norte-americanas em janeiro: “será uma redução de 170 efetivos norte-americanos e de 380 civis portugueses”, disse o ministro, contrastando com a redução inicialmente anunciada de 900 para 400 trabalhadores lusos e de 650 para 265 norte-americanos. Ainda assim, Rui Machete afirma que estes números “não honram a garantia de um rácio de três trabalhadores portugueses por cada militar norte-americano” que tinha sido dada pelo então secretário da Defesa, Leon Panetta, em 2013, na altura em que começou a ser anunciada a intenção estratégica de reduzir significativamente a sua presença nas Lajes.

Instado a apresentar conclusões concretas da reunião bilateral de 11 de fevereiro, que sentou à mesa Portugal e os EUA, Rui Machete insistiu que as negociações vão continuar em Washington, numa reunião que terá lugar entre maio e junho e que terá como ponto único na agenda a discussão do acordo negocial sobre a base das Lajes. Oposição, no entanto, não deixou de criticar a falta de resultados concretos que já deviam ter saído da reunião bilateral de fevereiro, com a deputada Carla Cruz a acusar o Governo de ter ido esta tarde à Assembleia com “uma mão cheia de nada”.

Uma situação que os dois ministros, que foram ouvidos em conjunto, disseram não poder controlar, uma vez que as negociações com os parceiros norte-americanos ainda não estão concluídas e “não são fáceis”. “Não é fácil colocar a administração norte-americana a fazer uma revisão desta envergadura”, admitiu o ministro da Defesa, José Pedro Aguiar Branco. O mesmo reiterou Rui Machete, que lamentou a dificuldade que envolve a tarefa de “convencer alguém a alterar o seu comportamento quando a outra parte não é sensível a argumentos que pensamos ser justos”.

Rui Machete, de resto, justificou sempre a falta de soluções concretas para minimizar o impacto da decisão norte-americana nos Açores com a bandeira da diplomacia: “Cumprimos aquilo que pudemos ao manifestar o nosso desagrado e ao propor alternativas, mas infelizmente não estamos em condições, e suponho que nenhum país está, de obrigar unilateralmente a outra parte a alterar propostas”, disse, acrescentando que o Governo se mantém com um otimismo relativo face à situação. Confiante de que vai haver “melhorias”, mas descrente de que a negociação chegue ao ponto de “dar uma satisfação plena” a Portugal.

 

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