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Negociações com os EUA sobre redução da sua presença na base das Lajes “não são fáceis” e nunca darão “satisfação plena” a Portugal, mas mesmo assim não serão dispensados 500 portugueses, como foi inicialmente apontado pelos EUA, mas sim 380, garantiu esta tarde no Parlamento o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete. Entre negociações e efetivas reduções no local, o ministro empurra o prazo para os trabalhadores portugueses serem “dispensados” dos seus postos para o final do ano, entre novembro e dezembro, ou seja, já depois de um novo Governo ter tomado posse.

“É razoável pensar que o tempo que se vai levar até concretizar a dispensa dos trabalhadores portugueses seja de 250 a 300 dias a partir de agora”, disse Rui Machete esta terça-feira no Parlamento, durante uma audição conjunta com o ministro da Defesa sobre o futuro da base das Lajes, no Parlamento. Quando, dia 8 de janeiro, os EUA anunciaram a decisão de reduzir a sua presença nas Lajes apontaram o prazo para o outono, dizendo que a redução seria gradual mas que implicaria 500 efetivos desta base aérea portuguesa nos Açores.

Agora, o ministro dos Negócios Estrangeiros, avança outros números que não coincidem com os avançados pelas autoridades norte-americanas em janeiro: “será uma redução de 170 efetivos norte-americanos e de 380 civis portugueses”, disse o ministro, contrastando com a redução inicialmente anunciada de 900 para 400 trabalhadores lusos e de 650 para 265 norte-americanos. Ainda assim, Rui Machete afirma que estes números “não honram a garantia de um rácio de três trabalhadores portugueses por cada militar norte-americano” que tinha sido dada pelo então secretário da Defesa, Leon Panetta, em 2013, na altura em que começou a ser anunciada a intenção estratégica de reduzir significativamente a sua presença nas Lajes.

Instado a apresentar conclusões concretas da reunião bilateral de 11 de fevereiro, que sentou à mesa Portugal e os EUA, Rui Machete insistiu que as negociações vão continuar em Washington, numa reunião que terá lugar entre maio e junho e que terá como ponto único na agenda a discussão do acordo negocial sobre a base das Lajes. Oposição, no entanto, não deixou de criticar a falta de resultados concretos que já deviam ter saído da reunião bilateral de fevereiro, com a deputada Carla Cruz a acusar o Governo de ter ido esta tarde à Assembleia com “uma mão cheia de nada”.

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Uma situação que os dois ministros, que foram ouvidos em conjunto, disseram não poder controlar, uma vez que as negociações com os parceiros norte-americanos ainda não estão concluídas e “não são fáceis”. “Não é fácil colocar a administração norte-americana a fazer uma revisão desta envergadura”, admitiu o ministro da Defesa, José Pedro Aguiar Branco. O mesmo reiterou Rui Machete, que lamentou a dificuldade que envolve a tarefa de “convencer alguém a alterar o seu comportamento quando a outra parte não é sensível a argumentos que pensamos ser justos”.

Rui Machete, de resto, justificou sempre a falta de soluções concretas para minimizar o impacto da decisão norte-americana nos Açores com a bandeira da diplomacia: “Cumprimos aquilo que pudemos ao manifestar o nosso desagrado e ao propor alternativas, mas infelizmente não estamos em condições, e suponho que nenhum país está, de obrigar unilateralmente a outra parte a alterar propostas”, disse, acrescentando que o Governo se mantém com um otimismo relativo face à situação. Confiante de que vai haver “melhorias”, mas descrente de que a negociação chegue ao ponto de “dar uma satisfação plena” a Portugal.