O primeiro-ministro britânico defendeu os serviços de segurança nacionais, depois de ter sido divulgado que um dos mais referenciados assassinos do Estado Islâmico, Mohammed Emwazi, licenciou-se no Reino Unido e estava referenciado pelos serviços secretos.

À medida que mais detalhes surgiram sobre Emwazi, apontado pela comunicação social e pelos especialistas como o homem que decapitou pelo menos cinco reféns ocidentais detidos pelo Estado Islâmico, presente na Síria e no Iraque, foram sendo feitas perguntas sobre se ele poderia ter sido detido.

O grupo de direitos humanos Cage, que tinha estado em contato com Emwazi, pós-graduado em informática e nascido no Kuweit, antes de este ter deixado a Grã-Bretanha, disse que os serviços secretos (MI5) já o tinha referenciado desde pelo menos 2009.

Os responsáveis britânicos não confirmaram a identidade de Emwazi, mas David Cameron disse na sexta-feira: “Vamos fazer tudo o que pudermos com a polícia, os serviços de segurança, com tudo aquilo que temos à nossa disposição, para encontrar essas pessoas e colocá-las fora de ação”.

O primeiro-ministro britânico acrescentou ainda que a toda a hora os serviços de segurança têm de fazer “julgamentos incrivelmente difíceis”, mas muito bons julgamentos.

O diretor da consultora GlobalStrat, na área de segurança e risco, Olivier Guitta, alertou que as forças de segurança não têm recursos para acompanhar todos aqueles que aparecem no radar.

“Para monitorizar uma pessoa, são precisos 30 oficiais, por isso, se em Inglaterra existem 1.000 pessoas numa lista, são necessários 30.000 funcionários. Não temos isso”, disse o responsável à agência de notícias France Presse.

Mas o legislador sénior David Davis, membro do Partido Conservador de Cameron, disse que Emwazi era conhecido por se associar com fanáticos, constando numa lista de terroristas.

“Quantas pessoas mais precisam morrer antes de começarmos a olhar mais atentamente para a estratégia dos serviços de inteligência?”, escreveu hoje no jornal britânico The Guardian.

Mohammed Emwazi foi identificado na quinta-feira como o “jihadista John” um dos mais referenciados assassinos do Estado Islâmico e que aparece em vários vídeos de decapitações de reféns ocidentais, na Síria e no Iraque, entre eles o jornalista norte-anericano James Foley, em 2014.

A identidade do extremista islâmico foi noticiada pela BBC que indicava que Emwazi tem a nacionalidade britânica e era conhecido dos serviços de segurança do Reino Unido desde 2009.

O facto de se tratar de um suspeito há muito identificado está a provocar polémica, com a imprensa a acusar o governo de David Cameron de falta de eficácia na luta contra o terrorismo.