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A bebé portuguesa, a viver em Inglaterra, que foi retirada à mãe por suspeita de mãos tratos foi devolvida aos cuidados maternos. A decisão foi tomada a 15 de janeiro pelo Tribunal de Família de Southend-on-Sea, a este de Londres, e revoga a decisão de maio de 2014, conforme noticia o Público.

Quando a bebé de cinco meses deu entrada no hospital de Southend a 16 de abril, o pediatra que a viu considerou que o hematoma na cabeça não podia ser acidental. Os serviços sociais foram chamados ao hospital e a criança foi sinalizada. No início de maio a criança era retirada à mãe devido aos “potenciais riscos” e entregue a uma família de acolhimento. Na altura, o pai da criança, separado da mãe, também foi excluído por ter estado com a criança três dias antes e portanto ser considerado suspeito. Mais tarde, o pai inglês viria a ficar com a guarda da menina.

Apesar das acusações dos serviços sociais, que alegam dar “sempre prioridade, no processo, ao superior interesse da criança”, a mãe sempre negou os alegados maus tratos à criança. Já na altura Alan Sprigg, radiologista pediátrico, tinha comentado no parecer de especialistas que aquilo que parecia ser uma fratura por baixo do hematoma podia ser uma linha de estrutura óssea. Considerava assim que o hematoma podia ter sido causado por uma queda acidental, posteriormente agravado pela fragilidade óssea natural.

“O Tribunal de Família de Southend concluiu que a lesão não tinha sido causada por negligência ou um ato de violência da mãe, mas pela fragilidade genética presente nos ossos da bebé”, disse ao Público Joana Gaspar, cônsul-geral de Portugal em Londres.

A ação dos serviços sociais ingleses, nomeadamente a retirada das crianças às famílias e as adoções forçadas, tem levantado protestos e recebido mais atenção por parte dos meios de comunicação social. Por resolver continua ainda a situação da família Pedro a quem foram retiradas cinco crianças em 2013. A proposta feita pela Embaixada de Portugal em Londres para que as crianças venham juntas para Portugal e sejam acolhidas numa instituição, em vez de ficarem separadas em famílias de acolhimento em Inglaterra, ainda não teve resposta.

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