Yanis Varoufakis avançou, em entrevista ao italiano Corriere della Sera, que caso não haja consenso com os parceiros da União Europeia, “podem surgir problemas”, como novas eleições ou a convocatória de um referendo sobre a manutenção da Grécia na zona euro. O objetivo é ajudar o país a sair da crise humanitária e estimular o crescimento.

“Como já tinha dito o primeiro-ministro (grego, Alexis Tsipras), não estamos colados aos assentos. Podemos realizar de novo eleições. Podemos convocar um referendo (sobre o euro)”, disse Yanis Varoufakis.

Entretanto, um porta-voz do governo de Tsipras, citado pela Bloomberg, afastou a possibilidade de realização de um referendo sobre a manutenção do país na moeda única, revelando que as palavras do ministro das Finanças tinham sido mal interpretadas pelo jornal italiano que acrescentou entre parêntesis a palavra euro. A eventual realização de eleições ou de um referendo seria sobre a política do executivo liderado pelo Syriza. Este é contudo um cenário pouco provável, acrescenta Gabriel Sakellaridis, porque Atenas espera chegar a acordo com o Eurogrupo.

O ministro das Finanças adiantou que não vai ser preciso um novo empréstimo à Grécia e que o país tem dinheiro para pagar as pensões e salários dos trabalhadores do setor público, mas que, para o resto “se verá”. E que, até junho, o objetivo é estabilizar a situação com uma proposta que passa por três pontos essenciais: uma renegociação das metas de excedente orçamental, uma reestruturação inteligente da dívida e um plano de grandes investimentos.

Sobre a reestruturação da dívida, Varoufakis explicou que o que propõem passa por remunerar mais os empréstimos e que não têm como objetivo fazer com que os outros países paguem a dívida grega. Como é que isto é possível? Com “a substituição dos títulos da dívida atuais por outros vinculados ao crescimento nominal”, ou seja, “se o país cresce, paga uma taxa de juro mais alta, se não cresce, paga menos”.

Em relação ao uma renegociação das metas de excedente orçamental, no plano grego, este deverá estar associado ao investimento, já que “quanto maior seja o investimento, mais excedente haverá”. E para que isto ocorra, é essencial o papel do Banco Europeu de Investimento (BEI), diz Varoufakis.

Qual é a resposta do Eurogrupo? “Silêncio. É silêncio. É que a Europa avança por inércia. É como um grande navio que precisa de tempo para mudar de rota. Além disso, se a mudança vier de um governo liderado pela esquerda radical, prevalece o medo de que exista algo de sinistro escondido”, disse.

Varoufakis lamentou que nos últimos anos “se tenha posto todo o peso nas costas das classes mais pobres” condenou o debate sobre se a Grécia sairá ou não da zona euro. “Quem é que vai investir na Grécia se se fala continuamente de Grexit (jogo de palavras entre Grécia e exit em inglês que significa saída). “Falar sobre Grexit é venenoso“, afirmou o ministro grego.

E se existiam dúvidas, o ministro das Finanças esclareceu-as. “A nossa grande força é o vínculo de confiança com as pessoas: nós não mentimos aos gregos”, concluiu.

As conversas com o Eurogrupo são retomadas esta segunda-feira. O jornal alemão Franfurter Allgemeine adianta que os ministro das finanças devem propor o regresso a Atenas da Troika (técnicos da Comissão Europeia, Fundo Monetário Europeu e Banco Central Europeu) para avaliar as disponibilidades financeiras do Estado grego. Varoufakis irá detalhar nesta reunião as propostas que enviou na semana passada.

Este domingo, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse, em Amesterdão, que o país governado por Alexis Tsipras vai permanecer na zona euro, que a lista dos planos da Grécia para a reforma estava longe de estar completa e que o processo ainda vai demorar muito tempo.