“Alguns membros” do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE) veem, segundo a Bloomberg, com relutância um possível novo pedido pela Grécia para se aumentar o limite máximo da liquidez de emergência cedida aos bancos gregos. Uma fonte diz que a liquidez não será retirada enquanto decorrerem negociações com a Grécia, mas a qualificação dos bancos gregos para esta linha de emergência está, agora, a ser revista semanalmente pelo BCE. O banco central já por várias vezes aumentou o limite, mas em montantes cada vez menores.

Os últimos dias trouxeram notícias de que a fuga de depósitos na banca grega está a estabilizar, mas a situação está longe de se poder considerar normalizada. Segundo a Bloomberg, que cita fontes próximas do processo, “alguns membros” do Conselho de Governadores irão opor-se a um novo aumento do limite máximo para o acesso dos bancos gregos à plataforma de liquidez de emergência, conhecida como ELA, uma plataforma que tem o banco central nacional como intermediário mas que necessita que o BCE aprove, quinzenalmente, a qualificação dos bancos.

Essa análise da situação da Grécia já não está a ocorrer quinzenalmente mas sim semanalmente, segundo a Bloomberg, perante a incerteza que continua a existir quanto à capacidade dos líderes europeus e o governo grego aproximarem as suas posições e ser concluída a última avaliação do segundo programa de assistência à Grécia.

Na quinta-feira haverá um novo contacto entre os vários Governadores para reavaliar a “torneira” de liquidez à Grécia. O limite foi aumentado pela última vez no dia 5 de março, em apenas 500 milhões, o que já seria um sinal de que o BCE está cada vez mais relutante em ceder liquidez aos bancos gregos. Um novo pedido para aumentar o limite seria encarado com grande relutância por alguns membros do banco central, diz a Bloomberg.

O governador austríaco Ewald Nowotny reconheceu esta quarta-feira que o BCE já tem vindo a discutir se a ELA não corresponde a financiamento monetário, ou seja, uma violação da regra que proíbe o BCE de financiar défices públicos dos Estados da zona euro. O austríaco sublinhou que a ELA tem, necessariamente, de ser uma plataforma cedida por tempo limitado e não pode ser vista como “algo permanente”.

Estão a começar esta quarta-feira as negociações técnicas com o governo grego com vista à apresentação de reformas económicas. Uma das fontes contactadas pela Bloomberg diz que a cedência de liquidez não será interrompida (o que é uma discussão diferente de se poderá ser aumentada ou não) enquanto estas negociações estiverem a decorrer, mas este é um fator adicional de pressão sobre o governo de Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis.