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Ambiente

Empresas que fabricam sacos do lixo “pretos” estão otimistas devido à entrada em vigor da nova lei da fiscalidade verde

A entrada em vigor da nova lei da fiscalidade verde pode até ser negativa na opinião da maioria dos consumidores, mas há quem possa vir a lucrar. As empresas que produzem sacos do lixo pretos.

Cada saco plástico "leve" - espessura inferior a 50 microns - custa 10 cêntimos.

AFP/Getty Images

A FAPIL, a Vileda e o grupo Auchan, algumas das empresas que fabricam, em Portugal, sacos de plástico para o lixo – os conhecidos “sacos pretos” – estão com boas expectativas para 2015, depois da entrada em vigor da nova lei da fiscalidade verde, no mês passado.

Desde o dia 15 de fevereiro, todos os sacos de plástico “leves” – com espessura inferior a 50 microns – passaram a custar 10 cêntimos, devido à entrada em vigor da nova lei da fiscalidade verde. Com esta medida, o Governo prevê uma mudança nos hábitos de consumo dos portugueses, incentivar a reciclagem e, ao mesmo tempo, arrecadar 40 milhões de euros em impostos, no final de 2015. Mas muitos ambientalistas não estão convencidos com os argumentos apresentados. Dizem que este imposto vai fazer com que os portugueses reciclem menos e que comecem a comprar mais os chamados “sacos pretos do lixo”, que têm um período de degradação superior aos “leves” dos supermercados.

Afinal, quem é que vai lucrar com esta medida? 

“Estamos preparados para um aumento da capacidade produtiva”, diz Fernando Teixeira, administrador da empresa FAPIL, ao Observador, admitindo que está à espera de um aumento da procura pelos “sacos do lixo pretos”. É uma questão de tempo até as pessoas esgotarem os sacos do supermercado que ainda têm guardados, pensam muitas pessoas. Porém, Fernando lembra que “ainda é demasiado cedo” para ter certezas e falar em números.

O grupo Auchan, responsável pelos hipermercados Jumbo e Pão de Açúcar, é uma das cadeias de venda que também foi afetada pela entrada em vigor da nova lei. E uma das que produz sacos plásticos para o lixo. Não confirmando nem desmentindo a expectativa de uma aumento de vendas, o grupo Auchan, em resposta às perguntas endereçadas pelo Observador, afirmou: “Temos vindo a aumentar a nossa oferta de sacos alternativos de várias composições, pano, ráfia, juta e produzidos através de materiais reutilizáveis.”

Já a Vileda, um das maiores empresas de produtos de limpeza na península ibérica, diz que o mercado dos sacos do lixo, em 2014, foi um dos que “apresentou maior dinamismo de crescimento”. “Este comportamento tão positivo já era anterior à entrada em vigor da nova legislação, pelo que é expectável que durante 2015 se acentue esta tendência”, explicaram. Para já, a Vileda diz não haver planos imediatos para o lançamento de novas referências. “Não está nos planos imediatos da Vileda o lançamento de novas referências, uma vez que já cobrimos os segmentos de litragem mais importantes, segundo os estudos sobre hábitos de consumo dos lares Portugueses”, explicaram.

Ministro satisfeito 

No balanço do primeiro mês da fiscalidade verde, o ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva salientou que está a acontecer “o que o governo sempre disse que iria acontecer, o que considerou muito positivo: “Os cidadãos mostraram em muito poucas semanas que eram sensíveis ao sinal de preço e que não estiveram numa lógica de queixume ou contestação, mudaram de vida”.

Em declarações registadas pela agência Lusa, Moreira da Silva considerou que os números são muito evidentes: “Nós apontávamos para que se passasse de 466 para 50 sacos plásticos por habitante por ano num só ano, e este é um valor mais ambicioso que qualquer país europeu (…), mas na prática isso está a acontecer”.

 

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