O chefe da missão do FMI para Portugal, Subir Lall, afirmou nesta terça-feira que “o efeito” das reformas “ainda não é visível”, dando razão à ministra das Finanças, que disse ser preciso tempo para que os resultados sejam percetíveis. “O efeito das reformas ainda não é visível e, então, temos de rever em baixa as nossas perspetivas de médio prazo”, afirmou o chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para Portugal durante uma conferência promovida pela Ordem dos Economistas, em Lisboa.

Mas, “neste momento, sentimos que ainda não se vê o impacto das reformas e, nesse sentido, penso que a ministra [das Finanças, Maria Luís Albuquerque] tem razão quando diz que as reformas demoram o seu tempo”. Segundo o responsável, as reformas que foram feitas e levadas a cabo pelo atual Governo durante a vigência do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF) “não devem recuar” e, apesar de Portugal ter conseguido “muito”, deve manter a trajetória, independentemente do ou dos partidos que vierem a formar o próximo Governo.

Subir Lall reforçou a ideia de que se tratar de “um processo que não para” cujo resultado se traduzirá, a médio prazo, no mercado de trabalho e nas empresas.

Na segunda-feira, Maria Luís Albuquerque afirmou, no encerramento da conferência “Relançar o investimento em Portugal”, na Fundação Calouste Gulbenkian, que o “Plano Juncker”, que pretende gerar investimentos de mais de 300 mil milhões de euros na economia europeia, só terá benefícios efetivos se todos os Estados-membros “sem exceção” participarem nas reformas.

“Apenas haverá benefícios efetivos se todos os Estados-membros participarem nas reformas. Todos sem exceção. Para o mercado europeu ser realmente único, cada país tem de implementar as transformações necessárias no seu próprio território”, afirmou Maria Luís Albuquerque sem especificar nenhum país em concreto.

A ministra destacou que “o sentido de emergência diminuiu visivelmente” em Portugal, mas alertou que “a ambição e a determinação não podem esmorecer” e que “ficar para trás não é opção nem para Portugal nem para a Europa”, reiterando que o Governo “tem a determinação que se exige” para continuar a implementar as reformas necessárias.

Segundo as conclusões preliminares da missão técnica no âmbito das consultas regulares ao abrigo do Artigo IV, e hoje divulgadas, os técnicos do FMI consideram que é preciso “rever as reformas” que não tiveram os resultados pretendidos e que pode ser preciso “reexaminar algumas reformas do setor público”.