Portugal está a colher os frutos das reformas estruturais e irá beneficiar da aceleração do crescimento económico dentro e fora do país, acredita a Moody’s. A agência de rating norte-americana assinala, contudo, que o endividamento público elevado continua a ser um risco e recorda que o Tribunal Constitucional tem “tornado mais difícil fazer ajustamentos permanentes na despesa” pública. Estes factos tornam o país mais “suscetível aos riscos” que se criarão caso a Grécia “decida sair da zona euro”, o que não corresponde, porém, ao cenário central da Moody’s.

“A vulnerabilidade externa de Portugal continua elevada, tendo em conta os níveis elevados de dívida externa, e o país estaria vulnerável a um cenário em que a confiança dos investidores fosse penalizada na sequência de a Grécia decidir sair da zona euro, ainda que este não seja o cenário base da Moody’s”, escreve a vice-presidente da agência de rating Kathrin Muelhbronner, que há vários anos acompanha de perto a situação da economia portuguesa.

Em análise divulgada esta terça-feira, a agência de rating, que continua a atribuir uma notação de baixa qualidade à dívida pública portuguesa, transmite uma mensagem de maior otimismo em relação à economia portuguesa, sem prejuízo de alertar para os riscos que ainda existem e que justificam o rating de lixo. Além dos riscos já citados, a Moody’s aponta, ainda, “o stock persistentemente elevado de créditos problemáticos e a baixa rendibilidade” dos bancos nacionais.

A Moody’s acredita, contudo, que “a recuperação económica nos principais parceiros comerciais de Portugal na zona euro, a par das melhorias estruturais na competitividade e do alargamento da base exportadora do país”, justificam um maior otimismo de que a economia nacional irá crescer. A Moody’s aponta para um crescimento do PIB de 1,7% em 2015 e 1,8% em 2016. Sobretudo graças ao aumento da procura interna e a “força renovada nas exportações”.