O vice-presidente do CDS Diogo Feio afirmou esta segunda-feira que os centristas estão a trabalhar em ideias e propostas próprias, independentemente de concorrerem às legislativas coligados com o PSD, matéria relativamente à qual não quis adiantar “rigorosamente nada”. O dirigente centrista falava aos jornalistas enquanto ainda decorria a reunião da Comissão Política Nacional do partido, que tinha na ordem de trabalhos “o ponto da situação da construção do programa eleitoral”, a partir de propostas que estão a ser construídas pelo recém-criado gabinete de estudos, assim como a análise dos resultados das eleições regionais na Madeira.
“Os partidos, independentemente de como se podem apresentar a eleições, têm autonomia, têm ideias próprias, têm propostas, e é natural que assim suceda e é natural que o CDS as esteja a trabalhar. Sempre o fez a tempo, sempre o fez com tempo, e não seria desta vez que as coisas se passariam diferente”, afirmou Diogo Feio.
Perante a insistência dos jornalistas que o questionavam acerca do momento da decisão acerca de uma eventual coligação pré-eleitoral com os sociais-democratas, Digo Feio respondeu: “O CDS não comenta fontes próximas, fontes anónimas. O CDS tem os seus tempos e é isso que está a cumprir”.
Até aqui, as eleições da Madeira eram vistas como uma espécie de escudo para os centristas, que se escusavam a comentar qualquer assunto relacionado com a eventual coligação pré-eleitoral com o PSD, por centristas e social-democratas estarem a correr em separado no arquipélago. Mas agora, virada a página da Madeira, também ainda não parece ter chegado o momento, com Diogo Feio a recusar-se a “antecipar” o que quer que seja.
“O CDS é um partido organizado. Neste momento, fecha-se o capítulo das eleições na Madeira, com esta análise que a comissão política nacional faz, a seu tempo se fará a análise em relação às eleições legislativas. Não vamos antecipar rigorosamente nada”, afirmou.
Relativamente às propostas para o programa eleitoral, Diogo Feio empurrou tudo para Assunção Cristas, a ministra da Agricultura e dirigente centrista que está a dirigir o gabinete de estudos. “Durante esta semana, Assunção Cristas, dará nota de como os trabalhos estão a decorrer”, disse.
Os erros na Madeira
Sobre as eleições na Madeira, onde o CDS voltou a ficar como segunda força mais votada, o dirigente centrista congratulou o partido pelo resultado obtido, apesar de lamentar a repetição da maioria absoluta do PSD. Os grandes derrotados, segundo Diogo Feio, foram os centros de sondagens, que deram “resultados incomparáveis com aqueles que de facto sucederam nas urnas”. O centrista exigiu, por isso, “consequências” para os “grandes erros” cometidos.
“Foram eleições feitas num clima muitíssimo adverso, com várias dificuldades, com a criação de uma coligação que incluía quatro partidos e que tinha nos seus objetivos ultrapassar o CDS em número de votos e deixasse de ser o segundo partido mais votado”, disse. “O CDS alcançou desde logo aquele que era o seu primeiro objetivo nestas eleições, ser o segundo partido mais votado. Infelizmente não conseguimos o segundo objetivo, evitar que houvesse uma maioria absoluta de um só partido (o PSD)“, acrescentou.