Este ano, as mulheres na Arábia Saudita vão poder votar pela primeira vez nas eleições municipais do país. Esta foi uma das mudanças que a campanha da Fundação King Khalid conseguiu depois de ter lançado a primeira campanha publicitária contra a violências sobre as mulheres na Arábia Saudita, em 2012.
Na altura, a mensagem agitou a comunicação social. A mulher coberta por uma burka, mostrando apenas os olhos, um dele todo negro, punha a nu uma realidade que vigorava no país: a desigualdade entre géneros.
Algumas coisas não podem ser tapadas. Vamos lutar juntos contra o abuso nas mulheres.
A campanha No More Abuses tinha como objetivo “alcançar justiça para todas as mulheres e crianças expostas a abusos em todas as partes do Reino”, de acordo com o News Australia.
Há três anos, a fundação queria que a população começasse a reportar casos de violência às entidades competentes. De acordo com o Business Insider, a campanha publicitária foi capaz de lançar um debate sobre os direitos das mulheres, num país onde as elas precisam do aval dos homens para qualquer atividade das suas vidas e onde têm de andar na rua completamente tapadas.
E conseguiu marcar a diferença: três meses depois do início da campanha, o Conselho de Ministros aprovou uma lei que proíbe qualquer tipo de violência em casa ou no local de trabalho. Além disso, estipulou-se que os abusadores deviam pagar uma multa de 12 mil euros.
A violência contra as mulheres e os seus direitos tornaram-se parte da agenda política da Arábia Saudita. Por lei, elas podem votar desde 2011 e ainda este ano foi permitida a entrada de 30 mulheres no Conselho Shura, conforme noticia o Al Arabiya.
A mudança parece ter chegado a território árabes, mas continua a encontrar obstáculos. No mesmo ano em que foi declarado o sufrágio universal, foi também descoberto um sistema de SMS que informavam os homens sobre as movimentações das mulheres. E as estatísticas não deixam dúvidas: a Arábia Saudita continua a estar em 130º lugar na lista de 142 países com maior igualdade de género em 2014. A nação mais preocupante é o Iémen. Portugal surge em 39º lugar na lista liderada pela Islândia.
Na Arábia Saudita, uma em cada seis mulheres sofre de algum tipo de violência ao longo da vida. A maior parte dos agressores são os maridos ou os pais.