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O líder do recém-criado Partido Democrático Republicano (PDR), Marinho e Pinto, tece duras críticas ao cenário macroeconómico traçado pelos economistas do PS, descrevendo-o como “muito preocupante” para o futuro do país. Em declarações ao Observador, Marinho e Pinto dispara críticas também para a coligação PSD/CDS, mas apesar dos tiros para os dois lados, não exclui coligações pós-eleitorais nem com PS nem com a nova AD.

Sobre o cenário apresentado pelos economistas do PS, e mesmo admitindo que o PDR ainda não analisou a “fundo” todas as medidas inscritas no documento, Marinho e Pinto começa por questionar os efeitos das propostas e diz mesmo que estas podem vir a “pôr em causa a sustentabilidade da Segurança Social”. Em causa, está, sobretudo, a redução da taxa de contribuição para a segurança social (TSU), que teria como consequência a redução futura de algumas pensões (entre 1,2% e 2,6%) – uma medida, de resto, contestada pela generalidade dos parceiros sociais e pelos restantes partidos políticos.

Em relação à receita proposta pela equipa liderada por Mário Centeno – investimento público como caminho para o crescimento -, Marinho e Pinto mostra muitas dúvidas em relação ao sucesso da fórmula:

“Parece que pode ser mais um passo para gastar primeiro e arranjar depois dinheiro para pagar”, defende, em declarações ao Observador.

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“Nós não temos soberania monetária. Portugal ou tem dinheiro para pagar as despesas ou não tem. Claro que todos gostam de gastar dinheiro – é a forma de se ganharem votos e de alargar clientela. Mas tal poderia ter graves consequências [para as finanças do país]”, sustenta, para depois acrescentar que o documento do PS “lembra um um bocadinho as propostas do Syriza na Grécia”.

Com quem quer casar Marinho e Pinto?

O anúncio da coligação pré-eleitoral entre PSD e CDS não surpreendeu Marinho e Pinto: “Isso não é uma novidade. É uma pseudo-notícia. [Na verdade], nenhum deles sobreviveria sem o outro, apesar de todos os ódios pessoais”. Mais: o líder do PDR acredita que o motivou a união entre social-democratas e democratas-cristãos foi o “medo de perder o poder”. Esse, diz, “é o cimento” que une esta coligação.

Ainda assim, e apesar das críticas ao PS e ao Governo, que, acusa, conduziu uma “política de austeridade exagerada” além “do que exigiam os nossos credores”, Marinho e Pinto não excluiu um cenário de coligação pós-eleitoral. “Nós, PDR, podemos e desejamos contribuir para uma solução de governo. O que não seremos é muleta de ninguém“, começou por explicar. O PDR só fará parte dessa solução “se os anseios dos eleitores e as respostas para os problemas do país” estiverem acautelados.

Mas, eventualmente, a quem dará o braço o PDR? À esquerda ou à direita? Para o ex-bastonário da Ordem dos Advogados essa questão não se coloca. “Essa geometria política tradicional [entre esquerda e direita] hoje está posta em causa. O PSD tem algumas pulsões social-democratas; o PS quando está no poder é de direita, quando está na oposição é de esquerda; [e depois] que esquerda é esta que se aliou à direita para derrubar o Governo socialista?”, questionou, referindo-se à queda do Executivo de José Sócrates.

No fundo, afirmou Marinho e Pinto, a preocupação do PDR é seguir “políticas que sejam benéficas para o país”, que permitam “consolidar o orçamento”, “pagar a dívida” e “assegurar o crescimento da economia”, ao mesmo tempo que se “erradica a pobreza” e se fomenta a participação cívica, através de “novas formas de democracia participativa”.

E quanto às expectativas do PDR nas próximas eleições? Marinho e Pinto socorreu-se da máxima celebrizada por um “grande pensador” português: “Prognósticos só no fim do jogo”.