Alexis Tsipras afirmou, numa entrevista que foi para o ar na segunda-feira à noite na Star TV, que os eleitores gregos poderão ser chamados a pronunciar-se sobre um acordo entre a Grécia e os credores internacionais que possa não estar ajustado à sua campanha para acabar com a austeridade. O primeiro-ministro da Grécia acrescentou que o seu mandato é para negociar um acordo que “não repita o ciclo vicioso de austeridade, miséria e pilhagem, uma solução que tenha perspetivas no quadro europeu”. Caso o acordo “exceda este mandato”, disse Tsipras, “o povo grego terá de decidir” mas não através de eleições, afirmou quando questionado sobre se seria realizado um referendo.

Numa entrevista que, de acordo com a Bloomberg, durou duas horas e meia, Alexis Tsipras acusou o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, e o líder do Banco Central Europeu (BCE), Mario Dragi, de quebrarem promessas e tratarem a Grécia de forma “injusta”. Adiantou que a instituições europeias pioraram a situação do país, que atravessa uma fase apertada nas finanças públicas, debatendo-se com problemas de liquidez para fazer pagamentos de salários e pensões e fazer face aos compromissos financeiros assumidos perante credores internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A 18 de fevereiro, afirmou o primeiro-ministro grego, o BCE tomou uma decisão “política e eticamente não ortodoxa quando fixou um teto de nove mil milhões de euros no valor de bilhetes do tesouro que os bancos sistémicos da Grécia poderiam deter, quando o normal seria haver um teto de 15 mil milhões”. Este decisão, do ponto de vista de Tsipras, significou que os bancos gregos perderem a sua capacidade de refinanciar seis mil milhões de euros em instrumentos de dívida de curto prazo do Estado.

O líder grego acrescentou que o presidente do Eurogrupo prometeu que aquele teto máximo seria removido, assim que uma extensão do programa de resgate fosse acorda para além de fevereiro e que o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, recebeu a mesma indicação dos seus colegas do Eurogrupo, onde têm assento os ministros das Finanças dos 19 países membros da zona euro. Estas promessas não foram cumpridas, denunciou Alexis Tsipras. “O nosso erro foi o de termos deixado que estas promessas se ficassem pelo nível oral e de não termos pedido um compromisso escrito”, adiantou.

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Apesar das críticas, Tsipras revelou-se confiante de que Angela Merkel, chanceler alemã, deseja que seja encontrada uma solução para a situação grega, em negociações com os credores internacionais há cerca de três meses. “Um incumprimento da Grécia e uma rutura seriam um fracasso para a Europa, para Merkel e para a própria Grécia”, prosseguiu o primeiro-ministro do país. O grupo técnico que está a negociar com os credores internacionais, em que se incluem a Comissão Europeia e o BCE, para além do FMI, teve um encontro no final de segunda-feira com o objetivo de preparar legislação baseada em propostas discutidas com aquelas instituições e, desta forma, desbloquear, no imediato, 7,2 mil milhões de euros que aliviariam os graves problemas dos depauperados cofres gregos.

Um sinal de Atenas de pretender fechar um acordo surgiu na segunda-feira com a remodelação da equipa que está a negociar com os credores e com a entrega da coordenação corrente das discussões ao vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Euclid Tsakalotos. Yanis Varoufakis, acusado por parceiros do Eurogrupo de ser “um jogador, um amador e um esbanjador de tempo”, passou a ter apenas a responsabilidade de supervisionar as negociações políticas com os membros da zona euro e o FMI. Sobre este tema, Alexis Tsipras reconheceu que existe um “clima negativo” e que “eles [os credores] não querem negociar com Varoufakis”, embora tenha qualificado o ministro das Finanças como um “ativo”.