O Papa Francisco recebeu este sábado no Vaticano Mahmoud Abbas, Presidente da Palestina. O encontro teve um significado histórico e aconteceu poucos dias depois de o Vaticano ter anunciado que estava prestes a assinar o primeiro tratado com a Palestina.

Mahmud Abbas, a quem o Papa chamou de “anjo da paz”, esteve com o pontífice cerca de 20 minutos numa audiência privada. De acordo com algumas fontes, o acordo entre a Santa Sé e a Palestina poderá ser assinado ainda durante esta visita de Abbas ao Vaticano, escreve o Guardian. Depois do encontro, o Vaticano informou, através de comunicado, que o Papa e Mahmud Abbas estudaram o processo de paz com Israel. De acordo com a Santa Sé, Jorge Mario Bergoglio expressou a esperança de que  as negociações diretas entre palestinianos e israelitas encontrem uma solução justa e definitiva para o conflito.

“Para esta finalidade, foi reiterado o desejo de que, com o apoio da comunidade internacional, israelitas e palestinianos possam avançar com determinação para decisões corajosas para promover a paz”, pode ler-se no comunicado citado pela agência Lusa. Os dois líderes também falaram sobre outros conflitos no Médio Oriente e da necessidade de intensificar esforços no combate ao “terrorismo”, acrescenta a informação.

Seguindo a tradição de troca de presentes, o papa deu a Mahmud Abbas uma medalha com a figura do anjo da paz “que destrói o mau espírito da guerra”. “Pensei em si porque é um anjo da paz”, explicou Francisco a Mahmud Abbas. Na quarta-feira, o Vaticano anunciou estar a preparar-se para assinar o seu primeiro acordo com a Autoridade Palestiniana, dois anos depois de a ter oficialmente reconhecido como Estado.

No documento desenhado entre Palestina e Vaticano, está expressa a “esperança” de encontrar “uma solução para a questão palestiniana” e para “o conflito entre israelitas e palestinianos, respeitando uma solução de dois estados”, revelou Antoine Camilieri, chefe da delegação da Santa Sé nas negociações, no início desta semana, recupera o jornal britânico. Nessa mesma entrevista, Camilieri disse esperar que “o acordo possa, mesmo de um forma indireta, ajudar os palestinianos na criação e no reconhecimento de um Estado independente, soberano e democrático da Palestina”.

Esta posição desagradou, naturalmente, aos líderes do estado israelita. Uma fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelitas fez questão de mostrar ao Vaticano o “desapontamento” com esta decisão da Santa Sé e disse mesmo que tal pode colocar em risco as negociações entre Israel e Palestina. “Israel ouviu com decepção a decisão da Santa Sé. Tal desenvolvimento não contribui para o processo de paz e afasta a liderança palestiniana das negociações bilaterais. Israel vai estudar o acordo e considerar o seu próximo passo”, prometeu a mesma fonte.

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