O Papa Francisco pediu este sábado aos bósnios que trabalhassem em conjunto por um futuro pacífico e que deixassem de lado a barbaridade da guerra, noticia a agência Associated Press. O objetivo da visita de um dia a Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, é incentivar a reconciliação entre muçulmanos, ortodoxos e católicos.

“Guerra nunca mais!”, disse o sumo pontífice durante a homilia, incitando os bósnios a praticar a paz todos os dias nas “ações, atitudes e atos de bondade, fraternidade, diálogo e misericórdia” e não apenas sob a forma de reza. Condenou aqueles que vendem armas e aqueles que deliberadamente criam tensões entre grupos diferentes.

“Todos nós precisamos de paz e de receber a mensagem do Papa”, disse Alma Mehmedic, um muçulmano de 55 anos. “Vim aqui hoje para dar amor e receber amor.”

A visita do Papa à cidade conhecida como “Jerusalém da Europa” foi delineada de forma a valorizar a harmonia entre as religiões e etnias, para mostrar a coexistência pacífica entre cristãos, muçulmanos e judeus. Mas foi nesta mesma cidade que entre 1992 e 1995 morreram mais de 100 mil pessoas devido a conflitos religiosos. Na altura metade da população abandonou a cidade.

Existem, no entanto, grupos religiosos que não conseguem chegar a consenso. Os cristãos ortodoxos sérvios (cerca de 31% da população da Bósnia) querem um estado separatista, os bósnios muçulmanos (cerca de 40% da população) querem um país unificado e os croatas católicos (cerca de 15% da população) querem ver própria região autónoma, refere a AP.

O líder da igreja católica incitou os bósnios a criarem uma oposição contra a “barbárie” daqueles que querem manter a divisão como “um pretexto de de mais violência indescritível”. “Isto permitirá que diferentes vozes participem na criação de uma melodia de nobreza e beleza sublime, em vez de os gritos fanáticos de ódio.”

“Acreditamos que o tempo dos mal-entendidos, intolerância e divisão ficaram para trás para sempre, que aprendemos as nossas lições com o passado e que os novos tempos estão à nossa frente, tempos de razão, reconciliação e cooperação”, disse Mladen Ivanic, um dos membros da presidência tripartida e membro do Partido do Progresso Democrático, no encontro com o Papa Francisco.