O advogado do ex-primeiro-ministro, João Araújo, voltou a garantir que não foi a defesa de José Sócrates quem entregou as gravações do interrogatório do recluso número 44 à revista Sábado. “Essa história é uma pura vigarice”, sublinhou o jurista.

“No dia em que a defesa violar o segredo de justiça, no dia em que a defesa violar o segredo de justiça, no dia em que nós quisermos transmitir lá para fora peças do processo, nós transmitimos, mas pomos o nosso nome por baixo. Nós não atiramos pedras e escondemos a mão”, garantiu João Araújo.

Em entrevista a José Rodrigues dos Santos, na RTP, o advogado ex-primeiro-ministro repetiu aquilo que tinha já dito ao Observador: não foi a defesa quem violou o segredo de justiça. “Tanto eu como o meu colega somos ambos demasiados vaidosos para sermos cobardes”, acrescentou João Araújo.

Mais: o responsável pela defesa de José Sócrates acusou a Procuradoria Geral da República de saber “perfeitamente quem viola o segredo de justiça e quem fornece peças à Sábado e ao Correio da Manhã” e que só não age juridicamente “porque não quer, porque os tem de proteger”.

João Araújo acredita, no entanto, que as notícias que tem saído sobre em torno de quem foi responsável pela divulgação na integra do interrogatório de José Sócrates têm um fim em si mesmo: causar “barulho” e “distrair as pessoas” da decisão da acusação de manter José Sócrates em prisão preventiva, depois de o ex-governante ter rejeitado a medida de coação proposta pelo Ministério Público. O advogado considera a decisão “manifestamente ilegal” e dispara contra o procurador-adjunto Rosário Teixeira e o juiz Carlos Alexandre:

“A prisão preventiva de José Sócrates foi muito mal recebida, está a ser censurada pela generalidade da opinião pública, e, fantasticamente, aquilo que se pode chamar comunidade jurídica acordou para este assunto de uma forma informada e crítica e hoje em dia não há ninguém que consiga dizer que aquela decisão tem qualquer coisa de legal”, afirmou.

Segundo o Observador apurou, uma gravação do interrogatório ficou no processo, outra foi enviada para o juiz Carlos Alexandre e uma terceira foi entregue ao advogado João Araújo, que a requereu com vista a preparar o recurso do seu cliente. Na RTP, o advogado esclareceu: “Há quatro entidades com acesso ao DVD: a defesa, o Ministério Público, o juiz e a Autoridade Tributária”.

O que significa que há várias pessoas que tiveram acesso à cópia do interrogatório. Todas elas serão ouvidos no âmbito do inquérito instaurado pela PGR. A procuradora Joana Marques Vidal, que fez da luta contra a violação do segredo de justiça uma bandeira para o seu mandato, reuniu-se já duas vezes com procuradores do Ministério Público depois de o interrogatório ser divulgado. Para já, João Araújo diz que é uma “pura canalhice” imputar responsabilidades à defesa pelo caso de violação do segredo de justiça.