O secretário-geral do Podemos acusou hoje o governo espanhol de apoiar a “operação mafiosa de terrorismo financeiro” que, considera, o FMI e a Alemanha perpetraram contra a Grécia, impedindo um acordo do Eurogrupo com o governo de Alexis Tsipras.

Numa intervenção perante o Conselho Cidadão do seu partido, Pablo Iglesias argumentou que essa atitude do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Alemanha “delimitou dois campos”: o da democracia, no qual “de modo inequívoco” se situa o Podemos, e o da “ditadura” do mercado, contra o qual apelou a uma manifestação hoje à tarde em Madrid.

Por proposta de Iglesia, o Conselho Cidadão aprovou por unanimidade a participação na manifestação convocada a partir das 20:00 (19:00 em Lisboa) por várias organizações, “para apoiar o povo grego e contra o totalitarismo do mercado”, disse o dirigente do Podemos.

O Eurogrupo marcou para hoje uma reunião que era considerada decisiva para se alcançar um compromisso de última hora entre Atenas e os seus credores, mas foi surpreendido na sexta-feira à noite com o anúncio, pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, da realização de um referendo a 05 de julho, para que o povo grego decida se aceita, ou não, o acordo proposto pelos credores – Comissão Europeia, FMI e Banco Central Europeu (BCE).

A decisão de realizar um referendo coloca em causa a capacidade de Atenas cumprir os seus compromissos, pois na terça-feira termina a extensão do atual programa de resgate da Grécia, bem como o prazo para Atenas reembolsar cerca de 1.500 milhões de euros ao FMI.