Portugal esteve isento de contribuir para o segundo resgate à Grécia, em 2012, por ser um dos países sob resgate financeiro. Mas, caso a Grécia receba um novo pacote de assistência do novo fundo europeu de resgates, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), será um dos países a contribuir para as garantias com que o fundo irá ao mercado financiar-se para entregar à Grécia. Tendo em conta as necessidades gregas até 2017, o montante a garantir por Portugal poderá rondar os 925 milhões de euros.

A chave de capital de Portugal no MEE é de quase 2,5% (2,4921%, em rigor), pelo que será nessa proporção que Portugal irá contribuir caso exista um terceiro pacote de resgate que assegure as necessidades financeiras da Grécia nos próximos dois anos. As principais garantias são, claro, da Alemanha (quase 30%) e de França (20,2%). Itália contribui com cerca de 17,8% das garantias e Espanha 11,8%.

Isto significa que Portugal não terá de orçamentar este contributo, mas em caso de incumprimento terá de restituir nessa proporção os fundos do MEE.

O governo grego não explicitou o valor pedido para esse novo programa, mas referiu que o objetivo é o de refinanciar as necessidades de financiamento externas e internas nos próximos dois anos.

Uma estimativa recente da troika apontava para necessidades de refinanciamento em 2015 de cerca de 17,5 mil milhões de euros e de 9,2 mil milhões em 2016. Em 2017, as necessidades de refinanciamento são de 10,5 mil milhões de euros.

Não sendo claro ainda se o pedido grego incide sobre todas estas necessidades de refinanciamento e que parte das necessidades de 2017 teriam de ser asseguradas, podemos estar a falar de um valor total superior a 37 mil milhões de euros. Para este valor, Portugal teria de contribuir com garantias no valor de 925 milhões de euros.