No 20º aniversário do massacre de oito mil muçulmanos na cidade de Srebrenica, que se localiza na fronteira entre a Bósnia e a Sérvia, o Conselho de Segurança da ONU viu uma resolução que designava e condenava este acontecimento como “genocídio” ser vetada pela Rússia. Apesar de a maior parte dos países ter votado favoravelmente esta designação, o veto de Putin impede que a decisão seja tomada.

Tanto a Rússia como a China tinham tentado retirar o assunto da agenda e não seguir com a votação já que havia conflitos sobre este reconhecimento. Com a resolução a votos, a Rússia utilizou o seu poder de veto, influenciada pelos líderes da Bósnia e da Sérvia, que mantêm fortes laços com Moscovo. Um dos líderes dos bósnios de origem sérvia, Milorad Dodik, disse aos meios de comunicação locais que o texto da resolução “não estava correto” e que a Rússia estava agir de acordo com o que tinha sido conversado entre as autoridades dos dois países.

O Conselho de Segurança da ONU é composto por cinco membros permanentes – China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos – e 10 não permanentes, que atualmente são: Angola, Chade, Chile, Jordânia, Lituânia, Malásia, Nova Zelândia, Nigéria, Espanha e Venezuela. No entanto, só os membros-permanentes é que têm poder de veto e podem exercê-lo quando considerarem apropriado, tal como aconteceu com a Rússia. A votação desta manhã em Nova Iorque foi de 10 votos favoráveis, quatro abstenções e o veto russo.

A resolução foi introduzida pelo Governo britânico e o embaixador do Reino Unido junto da ONU, Matthew Rycroft, disse que não se tratava de uma “declaração política”, mas sim “de um facto legal”, já que tanto o Tribunal Criminal Internacional para a antiga Jugoslávia e o Tribunal Internacional de Justiça já consideraram que este massacre foi um crime de genocídio cometido pelos bósnios sérvios.