“Ele não é um herói de guerra. É um herói de guerra porque foi capturado”, disse Donald Trump, este sábado, a propósito do senador republicano John McCain, ex-piloto que foi feito prisioneiro durante a guerra do Vietname. Mas o magnata não se ficou por aqui e acrescentou: “Eu gosto de pessoas que não foram capturadas”. O bilionário norte-americano, que em junho anunciou a sua candidatura à presidência dos Estados Unidos, falava numa iniciativa dos conservadores no Estado de Iowa.

O comentário provocou de imediato a indignação dos republicanos, já que John McCain é uma das figuras do Congresso com o estatuto de antigo combatente. Hoje com 78 anos, o ex-candidato presidencial foi piloto na guerra do Vietname tendo em outubro de 1967 o seu avião sido atingido por um míssil. Ferido e capturado em Hanoi, ficou preso cinco anos e meio e foi torturado fisica e psicologicamente. Donald Trump, com 69 anos, conseguiu evitar a guerra com quatro adiamentos, de acordo com documentos publicados pela imprensa em 2011.

A própria Hillary Clinton, candidata pelo Partido Democrata às presidenciais, também já saiu em defesa de McCain, argumentando que este é um herói de guerra “genuíno”. Citada pela ABC, Clinton respondeu desta forma às afirmações polémicas do magnata: “Donald Trump. Finalmente um candidato cujo cabelo tem mais atenção do que o meu. Mas não há nada de engraçado no ódio que ele está a expelir a propósito dos imigrantes e das suas famílias. E agora os insultos que fez, direcionados a um herói de guerra genuíno. É uma vergonha, bem como o facto de ter demorado muito tempo a que os [outros] candidatos republicanos lhe fizessem frente”.

As afirmações de Trump surgiram no âmbito de uma pergunta sobre as críticas que o senador lhe fez sobre as suas propostas na área da imigração. No último mês, o multimilionário provocou uma vaga de indignação ao juntar, no mesmo grupo, clandestinos e delinquentes mexicanos. Foi precisamente durante o discurso de apresentação da sua candidatura à presidência dos EUA que Trump acusou o México de “levar drogas e violadores” para o país, defendendo que os Estados Unidos se haviam tornado “numa lixeira para os problemas dos outros”.

Ainda sobre a mesma questão, e numa entrevista que será difundida no domingo por uma rádio de Nova Iorque, Donald Trump considera que o México é um lugar “corrupto” e diz que os Estados Unidos deveriam impor um “boicote” ao país. “Temos de fechar a nossa fronteira. Temos de construir um muro”, disse, repetindo as polémicas propostas que lançou na apresentação da campanha.

Apesar das já habituais declarações polémicas, o magnata está na liderança de uma sondagem que tem em consideração os restantes candidatos republicanos às presidenciais, noticia a CNN. Trump está à frente de outros 16 nomes com 18% dos prováveis eleitores republicanos nas primárias a pender para o lado daquele que também é uma estrela da televisão.

Números à parte, a Time escreve este sábado um artigo onde argumenta que Donald Trump chegou ao fim dos limites “permitidos” por ser uma celebridade. O texto dá conta que, depois uma vida debaixo dos holofotes da fama, o magnata está finalmente a perceber que o jogo (e suas regras) é diferente consoante os papéis de candidato político e celebridade.

Mas se durante anos os republicanos têm cortejado o apoio de Trump, e os seus “bolsos fundos”, o caso pode agora mudar de figura — dirigentes do partido conservador andam há semanas a dar sinais claros a Trump para que este baixe o tom dos seus argumentos contra aqueles que entram ilegalmente no país, com medo de alienar os eleitores hispânicos.

John McCain, defensor de uma reforma do sistema de imigração, disse ainda na passada quinta-feira que Donald Trump tinha “excitado os nerds” com as suas declarações anti-imigrantes. Trump respondeu que John McCain era um “idiota” e que tinha ficado em último lugar na Academia Naval de Annapolis.